• Jônatas Catunda de Freitas

Câncer de tireoide – como é o tratamento!

Você sabia que quase todos os casos de câncer de tireóide tem cura? Primeiro, o que é câncer de tireóide?

O que é câncer de tireóide?

Câncer de tireóide é um tipo de tumor que aparece na tireóide. É maligno e pode se espalhar, inicialmente para os linfonodos do pescoço e em seguida para o pulmão. Ainda não se sabe o motivo desse câncer. Começa pequeno e cresce lentamente até causar sintomas locais, como um caroço endurecido no pescoço ou inchaço na região da tireóide. Porém em alguns casos eles nem chegam a crescer e só são descobertos durante a necrópsia quando a pessoa morreu de outra causa.

O câncer de tireóide vem aumentando em incidência. Nos Estados Unidos, de 2012 para 2017, saltou do quinto câncer mais comum em mulheres para o segundo. Uma das causas é o aumento na detecção através do ultrassom – aparelhos cada vez mais avançados e portáteis disponíveis em qualquer local. Mas quando se olha para a mortalidade do câncer de tireóide não houve alteração. Permanece a mesma desde a década de 80, apesar de todo o avanço no tratamento.

Existem 4 tipos de câncer de tireóide, nesse texto falo apenas sobre o tratamento do CARCINOMA PAPILÍFERO.

Leia mais sobre os outros tipos nesse artigo: Câncer de tireóide – o que todo mundo deveria saber!

Principal tratamento: cirurgia da tireóide – a tireoidectomia

O tratamento do câncer de tireóide envolve cirurgia, que pode ser a tireoidectomia parcial ou a tireoidectomia total. Na maioria dos casos a primeira cirurgia resolve o problema e cura o câncer! Mesmo nos casos em que não se sabia que era câncer antes de operar! A tireoidectomia pode ser parcial, adequada para tumores muito pequenos, ou total para lesões múltiplas e casos mais agressivos.

Esvaziamento cervical

Casos mais agressivos em que a doença ja saiu do tumor primário e se espalhou para os linfonodos regionais, será necessário o esvaziamento cervical ou linfadenectomia. Pode ser de 2 tipos – recorrencial, onde retiro os linfonodos ao redor da tireóide sem precisar aumentar o tamanho da incisão, ou lateral, em que preciso esvaziar todos os gânglios da cadeia jugulo-carotídea, uma cirurgia bem maior e com mais sequelas do que a própria tireoidectomia.

Alguns casos, portadores de câncer mais agressivo, vão acabar tendo que ser operados mais de uma vez, fazer esvaziamento cervical para retirar os gânglios linfáticos do pescoço, outros vão precisar de iodoterapia, às vezes duas ou até 3 vezes. Mas vão estar vivos, lutando contra a doença e vivendo com qualidade de vida.

Radioiodoterapia

Além da cirurgia, existem tratamentos adjuvantes que auxiliam a manter o paciente curado. No carcinoma papilífero e no folicular, esse tratamento é a radioiodoterapia. Esse tratamento consiste em deixar o corpo ávido por iodo através da suspensão do hormônio por 30 dias e uma dieta especial pobre em iodo para em seguida tomar uma dose única de iodo radioativo, que age especi camente no tecido tireoidiano remanescente após a cirurgia.

Como o carcinoma papilífero e o folicular são semelhantes ao tecido tireoidiano eles vão absorver o iodoradiotativo e isso poderá ser avaliado na PCI – pesquisa de corpo inteiro. Além de tratar esse exame avalia se havia doença à distância, além do pescoço. Nem todo os pacientes vão precisar da iodoterapia – como a maioria dos casos é de muito baixo risco, será necessário apenas seguir de perto dosando a tireoglobulina e fazendo ultrassom cervical para detectar recidivas.

Terapia supressiva

Outro tratamento muito importante no combate ao câncer de tireóide é a terapia supressiva. Após a tireoidectomia total, os pacientes terão que tomar o hormônio para o resto da vida, pois não possuem mais a produção pela tireóide. Para inibir a recidiva, fazemos uma dose um pouco maior do que a dose que o corpo precisa, mantendo a paciente levemente em hipertireoidismo e os valores de TSH próximos de 0,1.

Quimioterapia

A quimioterapia é algo ainda pouco utilizada no tratamento do câncer de tireóide. Como é uma doença com baixo potencial de se espalhar e enviar metástases, o tratamento principal é a cirurgia. Mesmo nas recidivas, é possível o resgate cirúrgico, retirando toda a doença e garantindo uma chance de cura maior. Uma mesma paciente pode se operar várias vezes para tratar recidivas. A quimioterapia só é utilizada nos casos bastante avançados, que apresentam metástases ósseas ou pulmonares, sem resposta a radioiodoterapia. A principal droga utilizada é o sorafenibe.

Radioterapia externa

Casos muito agressivos, irressecáveis ou invadindo a laringe e a traquéia tem indicação de mais um tratamento adjuvante, a radioterapia externa. É um tratamento pouco recomendado nos câncer de tireóide pois a maioria dos casos a cirurgia consegue obter um excelente controle local da doença, através da tireoidectomia e do esvaziamento cervical. A radioterapia tem muitos efeitos colaterais e sequelas, como a boca seca, perda do paladar, espessamento e escurecimento da pele da região irradiada, por isso só é indicada nos casos mais graves.



Sobre o site drtireoide.com

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