O ultrassom da tireoide é o principal exame para avaliar a glândula e detectar nódulos. O laudo descreve localização, tamanho (normal: 7-15 cm³), ecotextura (homogênea ou heterogênea), ecogenicidade, presença de nódulos e linfonodos. Entenda cada termo do seu exame e saiba quando se preocupar.
Todo mundo precisa fazer ultrassom da tireoide de rotina?
Não. Não há necessidade de todo mundo fazer um ultrassom de rastreio da tireoide, pois isso causa a descoberta de nódulos benignos inofensivos que são extremamente comuns. Além de gerar ansiedade, esses nódulos vão ter que ser acompanhados, talvez puncionados e, como a punção nem sempre dá certeza de que é benigno, podem acabar eventualmente sendo operados.
Quem realmente precisa fazer ultrassom da tireoide?
Indicações para ultrassom:
- Nódulos palpáveis: quem tem nódulos tireoidianos ou cervicais visíveis ou que podem ser sentidos ao toque
- Doenças hormonais: quem já tem hipotireoidismo ou hipertireoidismo
- História familiar: quem tem parentes com câncer de tireoide
Importante: Este texto não substitui uma consulta médica. Não trato um exame, trato um paciente que deve ser visto como um todo. Às vezes o ultrassom deixa passar despercebido algo que no exame físico está alterado.
Localização
A tireoide pode estar na localização habitual (tópica) ou fora do local dela (ectópica). Alguns pacientes têm o que chamamos de tireoide lingual, quando a tireoide não migrou da língua para o pescoço durante o período embrionário. A tireoide fica dentro da boca nesses casos.
Tamanho da tireoide
O tamanho pode estar normal, aumentado ou reduzido.
Volume normal: 7 a 15 cm³
Quando a tireoide aumenta (bócio)
A tireoide aumenta em algumas situações:
- Deficiência de iodo
- Doença de Graves (hipertireoidismo)
- Bócio multinodular
- Tireoidite de Hashimoto (estágios iniciais)
Quando a tireoide diminui
A tireoide fica reduzida no hipotireoidismo, decorrente da tireoidite de Hashimoto, doença autoimune que causa atrofia da glândula. Muitos casos vão precisar repor hormônio tireoidiano.
Ecotextura
A textura da tireoide pode ser homogênea ou heterogênea. Pode ser difusamente heterogênea, o que indica alguma doença sistêmica da glândula, como a tireoidite de Hashimoto ou a doença de Graves, ou heterogênea às custas de vários nódulos.
Ecogenicidade
A tireoide normalmente é hiperecogênica em relação aos músculos ao redor, ela é mais clara. As doenças autoimunes vão deixando a glândula cada vez mais inflamada e alterada, podendo mudar para isoecogênica ou hipoecogênica. Aqui falo da tireoide, e não dos nódulos.
Lesões focais (nódulos e cistos)
As lesões focais são os nódulos ou cistos. Podem ser:
- Únicos ou múltiplos
- Unilaterais ou bilaterais
- Localizados: dividimos a glândula em terço superior, médio e inferior
- Volumosos: ocupando todo um lado da tireoide
Para nódulos, o laudo deve descrever características como tamanho, composição, ecogenicidade, margens e calcificações (classificação Ti-RADS).
Linfonodos do pescoço
Às vezes são encontrados linfonodos ao redor da glândula tireoide ou em cadeias laterais. O pescoço possui cerca de 300 linfonodos naturalmente, mas pode acontecer de alguns deles crescerem e chamarem a atenção.
Causas de linfonodos aumentados
- Infecção viral ou bacteriana (maioria dos casos)
- Metástase de câncer (câncer de tireoide pode se espalhar para linfonodos)
Sinais suspeitos no linfonodo
O ultrassonografista deve detalhar achados suspeitos:
- Globoso (formato arredondado)
- Degeneração cística
- Perda da morfologia hilar
- Margens e contornos irregulares
Sobre o autor
Dr. Jônatas Catunda
Cirurgião de cabeça e pescoço, especialista em tireoide. Formado pela Universidade Federal do Ceará, professor universitário, mestrado em cirurgia pela UFC, doutorando em cirurgia pela UFC.
CRM 14951 RQE 8522
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