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  • Foto do escritorJônatas Catunda de Freitas

Ultrassom da tireóide e rastreio do câncer: você precisa fazer?

Atualizado: 25 de fev. de 2023

Nesse artigo vou falar um pouco sobre um mal entendido que acontece no câncer de tireóide.

Estratégia de detecção precoce no câncer

É de conhecimento geral que o câncer tem altas taxas de cura quando detectado precocemente. Essa é a estratégia que fornece as melhores chances contra essa doença. Isso funciona para o câncer de MAMA, câncer de INTESTINO, câncer de ESTÔMAGO, que são bastante agressivos e quando descobertos tarde demais, as chances são poucas. Mas nem todo câncer é igual. O câncer de tireóide é altamente curável, dito bonzinho, indolente, em sua maioria. Para o câncer de tireóide a chance de cura, de estar vivo após 30 anos, é 95%. A detecção precoce em tireóide não muda o prognóstico (a chance de escapar do câncer de tireóide), pois ela já é muito boa.


Incidência do câncer de tireóide

O câncer de tireóide vem aumentando em incidência. Nos Estados Unidos, de 2012 para 2018, saltou do quinto câncer mais comum em mulheres para o segundo. Uma das causas é o aumento na detecção através do ultrassom – aparelhos cada vez mais avançados e portáteis disponíveis em qualquer local. Porém estudos sugerem que de fato a incidência está aumentando e ainda não sabemos o motivo. O lado positivo é que esse aumento ocorreu principalmente nos casos menos agressivos.


Câncer de tireóide agressivo

Alguns casos, portadores de câncer mais agressivo, vão acabar tendo que ser operados mais de uma vez, fazer esvaziamento cervical para retirar os gânglios linfáticos do pescoço, outros vão precisar de iodoterapia, às vezes duas ou até 3 vezes. Mas vão estar vivos, lutando contra a doença e vivendo com qualidade de vida. Casos raros evoluem com metástases a distância para pulmão ou ossos. Acontece apenas em doença muito avançada, porém o câncer de tireóide é um dos poucos em que é possível viver com a metástase pulmonar por anos, às vezes décadas, relativamente bem. Conto nos dedos de uma mão os pacientes que vi morrer de carcinoma papilífero da tireóide – todos eles foram negligenciados pelos pacientes. Procuraram ajuda tarde demais, com volumosas massas cervicais no pescoço…

Fiz essa introdução para que você entenda que não há nenhuma recomendação de rastreamento de câncer de tireóide! Não é necessário que TODAS as pessoas façam ultrassom para avaliar a tireóide, pois isso causa a descoberta de nódulos benignos que são extremamente comuns. Além de gerar ansiedade, esses nódulos vão ter que ser acompanhados, talvez puncionados e como a punção nem sempre dá a certeza que é benigno, vão acabar eventualmente sendo operados, correndo o risco de ter um hipoparatireoidismo, uma complicação grave da tireoidectomia. A idéia é evitar o overtreatment, excesso de tratamento.

Para finalizar – quem precisa fazer ultrassom da tireóide?

  1. Quem tem nódulos tireoidianos ou cervicais palpáveis ou visíveis

  2. Quem já tem alguma doença hormonal da tireóide – hipotireoidismo ou hipertiroidismo

  3. Quem tem algum parente com história de câncer de tireóide


Dr. Jônatas Catunda

Cirurgião de cabeça e pescoço, especialista em tireoide. Formado pela Universidade Federal do Ceará, professor universitário, mestrado em cirurgia pela UFC, doutorando em cirurgia pela UFC

CRM 14951 RQE 8522


Caso tenha alguma dúvida, entre em contato




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