• Jônatas Catunda de Freitas

Câncer de tireóide tem cura? Entenda essa doença

O câncer de tireóide é um medo que muitas pessoas tem, principalmente por não conhecer essa doença. Ao descobrir um nódulo na tireóide ou mesmo uma doença hormonal, já imaginam o pior cenário, que pode ser um câncer! Mesmo que seja, a boa notícia é que a chance de cura do carcinoma papilífero, o tipo responsável por quase todos os casos de câncer de tireóide, é altíssima, 99% dos pacientes obtém cura e não morrem dessa doenças, vivem a vida toda e morrem de outras causas.

O câncer de tireóide vem aumentando em incidência. Nos Estados Unidos, de 2012 para 2017, saltou do quinto câncer mais comum em mulheres para o segundo. Uma das causas é o aumento na detecção através do ultrassom – aparelhos cada vez mais avançados e portáteis disponíveis em qualquer local. Mas existem muitas evidências de que de fato esse câncer aparecendo em mais pessoas e ainda não sabemos a causa.

Existem 4 tipos de câncer de tireóide:

Carcinoma Papilífero – É o mais comum, responsável por 95% dos casos, e a maioria de tudo o que você lê sobre câncer de tireóide é sobre ele. Tem altas taxas de cura, 95% em 30 anos. Não existe fator causal conhecido. Ninguém sabe por que ele surge nem você tem culpa de adquiri-lo. As chances de cura são muito boas mas ja vi pacientes morrerem por causa dele. Geralmente pacientes que não se cuidaram e deixaram o tumor crescer demais, procuraram ajuda muito tarde, com lesão volumosa do tamanho de uma manga no pescoço já se espalhando para os linfonodos, ou abandonaram o tratamento e não trataram metástases.

Carcinoma Folicular – Representam 2% – Semelhante ao carcinoma papilífero, porém mais raro. Também é bastante curável, a chance de estar vivo em 30 anos é 85%.

Carcinoma Medular – Representam 2% dos casos de câncer de tireóide e se comportam bem diferente do papilífero, pois tem uma tendência maior a se espalhar pelo corpo – dar metástases para os pulmões, fígado, ossos… O principal tratamento é a cirurgia, que em muitos casos será necessária várias vezes. A radioiodoterapia não tem papel nesses casos. Esse tipo de câncer tem uma importante relação genética – cerca de 25% dos casos são familiares! Há inclusive um teste genético para sabe se você pode passar esse gene para seus lhos. A chance de estar vivo em 10 anos é 65%. Nesse tipo de câncer não se fala em cura, apenas em remissão – controle da doença, pois a chance de voltar após o tratamento é bastante alta.

Carcinoma Anaplásico – É o câncer mais agressivo do ser humano. A mortalidade é tão alta que praticamente todos os casos não sobrevivem até 6 meses após o diagnóstico. Não existe tratamento. Felizmente representa menos de 1% dos casos, sendo bastante raro. Geralmente acomete idosos com mais de 70 anos portadores de bócio volumoso de longa data.

Como é o tratamento do câncer de tireóide?

O principal tratamento é a cirurgia. Após a retirada da tireóide, a maioria dos casos já estará curado, porém alguns precisarão de tratamento adicional, a radioiodoterapia. Também será necessário fazer o seguimento ou acompanhamento com exames laboratoriais e ultrassom do pescoço, pois existe risco de a doença voltar nos linfonodos. Quando ocorre a recidiva, é necessário fazer uma nova cirurgia, o esvaziamento cervical. Leia mais sobre esvaziamento nesse artigo: Esvaziamento cervical no câncer de tireoide – Quais casos vão precisar dessa cirurgia?

Estadiamento do câncer de tireóide

Para decidir qual é o melhor tratamento para cada caso, utilizamos o estadiamento, uma forma de graduar a gravidade de cada caso. Existem diferentes classi cações, mas as mais utilizadas são o TNM que avalia risco de mortalidade, e a classi cação da ATA para recidivas. Essa ultima é a mais utilizada pois os paciente morrem muito pouco e todos tem risco baixo de mortalidade, sendo mais importante avaliar quais tem risco de recidiva A classi cação da ATA divide os pacientes em muito baixo risco, baixo risco, risco intermediário e alto risco. Baseado no estadiamento é que decido quais os tratamentos iremos utilizar: apenas tireoidectomia parcial, tireoidectomia total, tireoidectomia total com esvaziamento cervical, radioiodoterapia adjuvante… Quanto mais agressiva a doença, mais agressivo será o tratamento para reduzir o risco de recidiva.

Seguimento do câncer de tireóide

O seguimento é feito de forma diferente em cada caso. Por exemplo, casos de alto risco devem fazer exames todo mês no primeiro ano, já casos de muito baixo risco apenas de 6 em 6 meses nos primeiros 2 anos. É preciso dosar a tireoglobulina para avaliar se existe doença em atividade ou não. Uma dosagem não é muito confiável, sendo necessário avaliar algumas dosagens ao longo dos meses para prever se a doença voltou ou não.

Sobre o site drtireoide.com

Hoje em dia, com a quantidade de informação disponível na internet  fica difícil encontrar conteúdo de qualidade. E esse é exatamente o meu objetivo, levar  informação de qualidade a quem precisa. As vezes percebo que não consigo passar para o paciente todo o conhecimento sobre a sua doença ou, devido a ansiedade da consulta, o paciente não capta toda a mensagem.  Qualquer dúvida escreva nos comentários. Talvez eu escreva um post ou faça um vídeo sobre o seu problema! Se você quiser  marcar uma consulta comigo, clique aqui.

Criei esse site para ajudar meus pacientes a entender melhor o seu tratamento. Percebi que os médicos em geral não tem tanto conhecimento sobre tireóide como o cirurgião de cabeça e pescoço tem. Não é fácil encontrar conteúdo de qualidade voltado para pacientes na internet, pois o dr google já diz que tudo é câncer. Por isso tenho essa missão de compartilhar o que sei para facilitar sua vida! Obrigado!



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