Dr. Jônatas Catunda

Blog

Bethesda da Tireoide: O Que Significa Cada Resultado? | Guia 2026

Entenda o que significa Bethesda I a VI na PAAF da tireoide, qual o risco de câncer em cada categoria e quando acompanhar ou operar.

06 de fevereiro de 20265 min de leitura
PAAFBethesdapunção da tireoidenódulo da tireoidecâncer de tireoide
Bethesda da Tireoide: O Que Significa Cada Resultado? | Guia 2026

A classificação de Bethesda divide os resultados da punção da tireoide em 6 categorias (I a VI): Bethesda I é material insuficiente, II é benigno (60-70% dos casos), III é indeterminado, IV é neoplasia folicular (30% de risco), V é suspeito de maligno (75% de risco) e VI é maligno (99% de câncer). Entenda cada categoria e o que fazer em cada caso.

Se você quer levar esse resultado para uma decisão prática, vale ver também a página sobre nódulo na tireoide, o guia sobre cirurgia de tireoide e a opção de consulta para revisar PAAF e conduta.

Para que serve a PAAF da tireoide?

O principal objetivo da punção de um nódulo tireoidiano é saber se aquela lesão detectada no ultrassom ou no exame físico é um câncer de tireoide ou não.

Por que isso é importante?

  • Se for maligno: tratamento é cirúrgico (tireoidectomia parcial ou total)
  • Se for benigno: apenas acompanhar com ultrassom periódico

Para saber mais sobre a PAAF:

Importância e limitações da PAAF

A PAAF é um dos exames mais importantes na avaliação dos nódulos tireoidianos, pois pode mudar a conduta e indicar uma cirurgia.

Limitações do exame

Não é um exame perfeito. Existem:

  • Falsos positivos: PAAF disse que era câncer, mas não era
  • Falsos negativos: PAAF disse que não era câncer, mas era

Isso pode acontecer nos nódulos volumosos (>4 cm), pois a PAAF perde a acurácia. Não dá para coletar material de toda a região do nódulo.

O que é a classificação de Bethesda?

Em 2007, um grupo de cientistas se reuniu em Bethesda (Maryland, EUA) e criou uma classificação padronizada dos resultados da PAAF, utilizada até hoje mundialmente.

A classificação vai de I a VI em algarismos romanos e não é gradual: cada número tem um significado específico.

Resumo rápido

BethesdaSignificadoRisco de Câncer
IMaterial insatisfatório-
IIBenignoMenos de 3%
IIIIndeterminado10-30%
IVNeoplasia folicular25-40%
VSuspeito de maligno50-75%
VIMaligno97-99%

Bethesda II - Benigno (melhor resultado)

Este é o melhor resultado possível. A maioria dos casos de Bethesda II pode apenas acompanhar, sem necessidade de cirurgia.

Estatísticas

  • 60-70% das PAAFs resultam em Bethesda II
  • Risco de câncer: menos de 3% (falso negativo)
  • 90-95% dos nódulos são benignos

Por que a conta não fecha? Alguns nódulos benignos têm resultado diferente: Bethesda I, III ou IV.

Conduta no Bethesda II

  • Acompanhamento com ultrassom periódico
  • Exame físico regular
  • Repetir punção se houver:
    • Crescimento significativo do nódulo
    • Mudança do aspecto no ultrassom
    • Surgimento de sintomas compressivos

Bethesda V e VI - Maligno

Bethesda V - Suspeito de maligno

O patologista suspeitou de câncer, mas não viu características suficientes para fechar o diagnóstico.

Estatísticas:

  • Risco de câncer: 50-75%
  • Conduta: cirurgia na maioria dos casos
  • Tipo de cirurgia: parcial ou total, dependendo do caso

Bethesda VI - Maligno

Diagnóstico confirmado de câncer.

Estatísticas:

  • Risco de câncer: 97-99%
  • Tipo mais comum: carcinoma papilífero (95% dos casos)
  • Conduta: cirurgia é obrigatória

Importante: A PAAF detecta bem o carcinoma papilífero, mas pode não detectar carcinoma folicular e medular, que são descobertos na biópsia da cirurgia.

Para saber mais: 5 fatos sobre o câncer de tireoide

Bethesda I e III - Inconclusivo (resultados frustrantes)

Esses resultados são os mais frustrantes, pois não dão certeza ao paciente. Na maioria das vezes é lesão benigna que a punção não conseguiu confirmar.

Bethesda I - Material insatisfatório

Não houve células suficientes para análise.

Estatísticas:

  • Frequência: 10% das PAAFs
  • Risco de câncer: 5-10% (se não houver diagnóstico após múltiplas tentativas)

Por que acontece?

  • Nódulo cístico (muito líquido, poucas células)
  • Nódulo que sangra muito
  • Técnica do médico
  • Qualidade da análise do patologista
  • Anatomia (pescoço curto dificulta acesso)

Conduta:

  • Repetir a punção: 50-80% de chance de obter resultado
  • Alguns casos precisam de 2-3 tentativas
  • Se após múltiplas tentativas não houver diagnóstico, considerar cirurgia

Bethesda III - Lesão folicular de significado indeterminado

Achados citológicos que o patologista não garantiu ser benigno, mas provavelmente é.

Estatísticas:

  • Risco de câncer: 10-30%
  • Após repetir PAAF: apenas 20% permanecem Bethesda III

Conduta:

  • Primeira opção: repetir a punção
  • Se permanecer Bethesda III: cirurgia para esclarecer o diagnóstico
  • Acompanhamento próximo se optar por não operar

Importante: Manter a calma. A maioria desses casos é benigna.

Bethesda IV - Neoplasia folicular (categoria especial)

Esta é uma categoria especial. Para confirmar que a lesão é benigna, é necessário analisá-la por completo, pois existe possibilidade de ser carcinoma folicular.

Estatísticas:

  • Risco de câncer: 25-40%
  • Não pode ser diagnosticado apenas pela PAAF

Por que não dá para saber pela punção? Para diferenciar adenoma folicular (benigno) de carcinoma folicular (maligno), é necessário ver a cápsula da lesão inteira no microscópio, o que só é possível após a cirurgia.

Conduta:

  • Cirurgia recomendada: lobectomia (tireoidectomia parcial)
  • Remove o lado da tireoide que contém o nódulo
  • Após cirurgia, a biópsia confirma se era benigno ou maligno
  • Se for maligno, pode ser necessária segunda cirurgia para remover o outro lado

Se este artigo te ajudou

O próximo valor não é ler mais um texto. É entender o seu caso com critério.

O blog ajuda a orientar. A consulta serve para aplicar isso ao seu exame, ao seu histórico e à decisão que você precisa tomar agora.

Revisão de exames como tireoglobulina, anti-Tg, TSH, ultrassom e risco de recidiva

Explicação do que realmente muda conduta e do que precisa apenas acompanhamento

Plano mais claro para seguimento, cirurgia complementar ou radioiodoterapia quando indicado

Ideal para quem quer revisar exame, ultrassom, PAAF ou indicação cirúrgica com mais clareza.

Próximos Passos

Páginas centrais para continuar.

Se você quer transformar a leitura em direção prática, estes são os caminhos mais úteis dentro do site.

Dr. Jônatas Catunda

Sobre o autor

Dr. Jônatas Catunda

CRM-CE 14951 • RQE 8522

Cirurgião de Cabeça e Pescoço, especialista em tireoide. Formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com residência em Cirurgia Geral no Instituto Dr. José Frota e em Cirurgia de Cabeça e Pescoço no Hospital Universitário Walter Cantídio. Mestrado e Doutorado pela UFC.

Por que isso importa para você

• Explicação clara de exames como ultrassom, PAAF, Bethesda, tireoglobulina e risco cirúrgico

• Experiência prática com casos de nódulo, câncer de tireoide, linfonodos e seguimento

• Conteúdo feito para ajudar o paciente a decidir melhor, não para assustar ou empurrar tratamento

Professor de Anatomia
13 anos de formado
460k+ inscritos no YouTube

Descobri um nódulo na tireoide. Será que preciso operar?

Saiba mais

Como ficar curado do câncer de tireoide?

Saiba mais

Continue lendo

Outros artigos para você.

Ver todos os artigos
Bethesda 4, 5 ou 6 na Tireoide: O Que Fazer? | Guia 2026
13 de março de 20264 min de leituraNódulo na tireoide

Bethesda 4, 5 ou 6 na Tireoide: O Que Fazer? | Guia 2026

Recebeu Bethesda 4, 5 ou 6 na PAAF da tireoide? Entenda o risco de câncer em cada categoria e quando a cirurgia passa a ser indicada.

Bethesda II na Tireoide: Acompanhar ou Operar? | Guia 2026
13 de março de 20265 min de leituraNódulo na tireoide

Bethesda II na Tireoide: Acompanhar ou Operar? | Guia 2026

Seu resultado de PAAF deu Bethesda II? Entenda quando o nódulo pode só acompanhar, quando repetir exame e em quais casos ainda se pensa em cirurgia.

Nódulo na Tireoide: Quando Operar? | Guia 2026
13 de março de 20265 min de leituraNódulo na tireoide

Nódulo na Tireoide: Quando Operar? | Guia 2026

Veja quando um nódulo na tireoide realmente precisa operar com base em PAAF, tamanho, sintomas compressivos, crescimento e suspeita de câncer.

Pronto para entender seu caso?

Agende sua consulta e receba explicações claras sobre seus exames.

Online (todo o Brasil) ou presencial (Fortaleza e interior do Ceará).