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Nódulo na tireoide

Bethesda da Tireoide: O Que Significa Cada Resultado? | Guia 2026

Recebeu o resultado da PAAF? Veja o risco de câncer de cada categoria de Bethesda, quando é só acompanhar, quando repetir a punção e quando operar.

Dr. Jônatas Catunda

Dr. Jônatas Catunda· Cirurgião de Cabeça e Pescoço

CRM-CE 14951 · RQE 8522 · Mestre e Doutor pela UFC

06 de fevereiro de 2026 · 5 min de leitura

Bethesda da Tireoide: O Que Significa Cada Resultado? | Guia 2026

A classificação de Bethesda divide os resultados da punção da tireoide em 6 categorias (I a VI): Bethesda I é material insuficiente, II é benigno (60-70% dos casos), III é indeterminado, IV é neoplasia folicular (30% de risco), V é suspeito de maligno (75% de risco) e VI é maligno (99% de câncer). Entenda cada categoria e o que fazer em cada caso.

Se você quer levar esse resultado para uma decisão prática, vale ver também a página sobre nódulo na tireoide, o guia sobre cirurgia de tireoide e a opção de consulta para revisar PAAF e conduta.

Veja essa explicação

Resultado da PAAF: a punção da tireoide e a classificação de Bethesda

Dr. Jônatas Catunda explica em 6:54

Para que serve a PAAF da tireoide?

O principal objetivo da punção de um nódulo tireoidiano é saber se aquela lesão detectada no ultrassom ou no exame físico é um câncer de tireoide ou não.

Por que isso é importante?

  • Se for maligno: tratamento é cirúrgico (tireoidectomia parcial ou total)
  • Se for benigno: apenas acompanhar com ultrassom periódico

Para saber mais sobre a PAAF:

Importância e limitações da PAAF

A PAAF é um dos exames mais importantes na avaliação dos nódulos tireoidianos, pois pode mudar a conduta e indicar uma cirurgia.

Limitações do exame

Não é um exame perfeito. Existem:

  • Falsos positivos: PAAF disse que era câncer, mas não era
  • Falsos negativos: PAAF disse que não era câncer, mas era

Isso pode acontecer nos nódulos volumosos (>4 cm), pois a PAAF perde a acurácia. Não dá para coletar material de toda a região do nódulo.

O que é a classificação de Bethesda?

Em 2007, um grupo de cientistas se reuniu em Bethesda (Maryland, EUA) e criou uma classificação padronizada dos resultados da PAAF, utilizada até hoje mundialmente.

A classificação vai de I a VI em algarismos romanos e não é gradual: cada número tem um significado específico.

Resumo rápido

BethesdaSignificadoRisco de Câncer
IMaterial insatisfatório-
IIBenignoMenos de 3%
IIIIndeterminado10-30%
IVNeoplasia folicular25-40%
VSuspeito de maligno50-75%
VIMaligno97-99%

Bethesda II - Benigno (melhor resultado)

Este é o melhor resultado possível. A maioria dos casos de Bethesda II pode apenas acompanhar, sem necessidade de cirurgia.

Estatísticas

  • 60-70% das PAAFs resultam em Bethesda II
  • Risco de câncer: menos de 3% (falso negativo)
  • 90-95% dos nódulos são benignos

Por que a conta não fecha? Alguns nódulos benignos têm resultado diferente: Bethesda I, III ou IV.

Conduta no Bethesda II

  • Acompanhamento com ultrassom periódico
  • Exame físico regular
  • Repetir punção se houver:
    • Crescimento significativo do nódulo
    • Mudança do aspecto no ultrassom
    • Surgimento de sintomas compressivos

Bethesda V e VI - Maligno

Bethesda V - Suspeito de maligno

O patologista suspeitou de câncer, mas não viu características suficientes para fechar o diagnóstico.

Estatísticas:

  • Risco de câncer: 50-75%
  • Conduta: cirurgia na maioria dos casos
  • Tipo de cirurgia: parcial ou total, dependendo do caso

Bethesda VI - Maligno

Diagnóstico confirmado de câncer.

Estatísticas:

  • Risco de câncer: 97-99%
  • Tipo mais comum: carcinoma papilífero (95% dos casos)
  • Conduta: cirurgia é obrigatória

Importante: A PAAF detecta bem o carcinoma papilífero, mas pode não detectar carcinoma folicular e medular, que são descobertos na biópsia da cirurgia.

Para saber mais: 5 fatos sobre o câncer de tireoide

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Bethesda I e III - Inconclusivo (resultados frustrantes)

Esses resultados são os mais frustrantes, pois não dão certeza ao paciente. Na maioria das vezes é lesão benigna que a punção não conseguiu confirmar.

Bethesda I - Material insatisfatório

Não houve células suficientes para análise.

Estatísticas:

  • Frequência: 10% das PAAFs
  • Risco de câncer: 5-10% (se não houver diagnóstico após múltiplas tentativas)

Por que acontece?

  • Nódulo cístico (muito líquido, poucas células)
  • Nódulo que sangra muito
  • Técnica do médico
  • Qualidade da análise do patologista
  • Anatomia (pescoço curto dificulta acesso)

Conduta:

  • Repetir a punção: 50-80% de chance de obter resultado
  • Alguns casos precisam de 2-3 tentativas
  • Se após múltiplas tentativas não houver diagnóstico, considerar cirurgia

Bethesda III - Lesão folicular de significado indeterminado

Achados citológicos que o patologista não garantiu ser benigno, mas provavelmente é.

Estatísticas:

  • Risco de câncer: 10-30%
  • Após repetir PAAF: apenas 20% permanecem Bethesda III

Conduta:

  • Primeira opção: repetir a punção
  • Se permanecer Bethesda III: cirurgia para esclarecer o diagnóstico
  • Acompanhamento próximo se optar por não operar

Importante: Manter a calma. A maioria desses casos é benigna.

Bethesda IV - Neoplasia folicular (categoria especial)

Esta é uma categoria especial. Para confirmar que a lesão é benigna, é necessário analisá-la por completo, pois existe possibilidade de ser carcinoma folicular.

Estatísticas:

  • Risco de câncer: 25-40%
  • Não pode ser diagnosticado apenas pela PAAF

Por que não dá para saber pela punção? Para diferenciar adenoma folicular (benigno) de carcinoma folicular (maligno), é necessário ver a cápsula da lesão inteira no microscópio, o que só é possível após a cirurgia.

Conduta:

  • Cirurgia recomendada: lobectomia (tireoidectomia parcial)
  • Remove o lado da tireoide que contém o nódulo
  • Após cirurgia, a biópsia confirma se era benigno ou maligno
  • Se for maligno, pode ser necessária segunda cirurgia para remover o outro lado

Perguntas Frequentes

O que significa Bethesda II?
Bethesda II significa que o nódulo é benigno. É o melhor resultado possível, com risco de câncer menor que 3%. Geralmente não precisa de cirurgia, apenas acompanhamento.
Bethesda III precisa operar?
Não necessariamente. Bethesda III (risco de câncer 10-30%) pode repetir a punção primeiro. Se permanecer Bethesda III após nova punção, aí sim considerar cirurgia.
Qual a diferença entre Bethesda V e VI?
Bethesda V é 'suspeito de maligno' (50-75% de risco) e Bethesda VI é 'maligno confirmado' (97-99% de risco). Ambos geralmente indicam cirurgia.
Bethesda I sempre precisa repetir?
Sim. Bethesda I significa material insuficiente, então é necessário repetir a punção para obter diagnóstico.
Posso fazer cirurgia mesmo com Bethesda II?
Sim, em alguns casos. Se o nódulo for muito grande (>4cm) e causar sintomas compressivos, pode-se operar mesmo sendo benigno.

Tópicos

PAAFBethesdapunção da tireoidenódulo da tireoidecâncer de tireoide

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O próximo valor não é ler mais um texto. É entender o seu caso com critério.

O blog ajuda a orientar. A consulta serve para aplicar isso ao seu exame, ao seu histórico e à decisão que você precisa tomar agora.

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Dr. Jônatas Catunda

Sobre o autor

Dr. Jônatas Catunda

CRM-CE 14951 • RQE 8522

Cirurgião de Cabeça e Pescoço, especialista em tireoide. Formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com residência em Cirurgia Geral no Instituto Dr. José Frota e em Cirurgia de Cabeça e Pescoço no Hospital Universitário Walter Cantídio. Mestrado e Doutorado pela UFC.

Por que isso importa para você

• Explicação clara de exames como ultrassom, PAAF, Bethesda, tireoglobulina e risco cirúrgico

• Experiência prática com casos de nódulo, câncer de tireoide, linfonodos e seguimento

• Conteúdo feito para ajudar o paciente a decidir melhor, não para assustar ou empurrar tratamento

Professor de Anatomia
13 anos de formado
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