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Formação

Sou cirurgião de cabeça e pescoço, uma especialidade médica que é pouco conhecida até mesmo pelos médicos. Para chegar até aqui, fiz seis anos de faculdade de medicina: sou formado pela Universidade Federal do Ceará que é uma dos melhores do Brasil.


Depois fiz mais dois anos de residência médica em cirurgia geral no IJF, um hospital de trauma referência em Fortaleza, e fiz mais dois anos de residência médica em cirurgia de cabeça e pescoço no Hospital Universitário Walter Cantídio, o hospital da Universidade Federal do Ceará, em um dos melhores Serviços de cirurgia de cabeça e pescoço do Brasil.

 
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Vocação

Desde o começo da faculdade comecei a ter contato com a anatomia do pescoço e percebi que gostava muito disso. Procurei a liga de cirurgia de cabeça e pescoço, que era um grupo de estudantes que fazia estágio e pesquisas nessa área e entrei para esse grupo. Comecei a acompanhar as cirurgias e me apaixonei desde o primeiro dia. Na primeira cirurgia que eu entrei meus olhos já brilharam, decidi que era aquilo que queria fazer para o resto da vida.


A cirurgia era uma glossectomia total com esvaziamento cervical, para remover um câncer agressivo. Quando vi o pescoço do paciente todo aberto mostrando toda a anatomia, não quis mais saber de outra especialidade. Durante toda a faculdade os colegas brincavam dizendo que eu não ia me formar médico mas sim cirurgião de cabeça e pescoço, pois gostava tanto que chegava a faltar aulas para acompanhar as cirurgias.

Desde aquele primeiro contato com a cirurgia de cabeça e pescoço fiz de tudo para chegar onde estou, cirurgião de cabeça e pescoço tratando meus pacientes da melhor forma possível, sempre estudando muito e aprendendo cada vez mais!

 

Por que comecei a fazer vídeos para o Youtube

Nos últimos meses da residência comecei a pesquisar sobre marketing e estudar o que os outros médicos e profissionais da saúde estavam fazendo para conseguir mais pacientes. Até que busquei “tireóide” e cai num canal de um doutor com mais de 1 milhão de inscritos.

Era um vídeo curto, sobre os “sintomas da tireóide”. Havia certos erros e inverdades sobre o tema, mas a linguagem era fácil e voltada para pacientes. Pesquisei mais sobre esse doutor e vi que ele nem tinha especialidade, cara de recém formado, mas bombando no youtube fazendo vídeos de temas populares de várias especialidades e algumas vezes errando feio.

Então pensei: “Se até esse cara recém formado consegue, eu com duas residência e na metade do mestrado, também consigo”

Continuei minha busca e encontrei vários tipos de produtores de conteúdo:

  1. Charlatões prometendo curas milagrosas, emagrecimento rápido, detox, alcalinização, lugol, MMS (Esses até hoje são a MAIORIA dos canais);

  2. Recém formados, sem especialidade, replicando conteúdos do Google sem embasamento científico;

  3. Profissionais não-médicos falando de temas de Medicina;

  4. Pacientes relatando suas experiências com doenças e tratamentos, na maioria das vezes compartilhando os resultados ruins e complicações – assustando os outros pacientes;

E o mais preocupante:


Médicos especialistas falando de suas especialidades eram raridade. Quando isso acontecia era basicamente alguma entrevista que o doutor deu e jogou no youtube, mas como esse vídeo não era otimizado para a internet (curto, direto, claro e fácil de entender), não tinha alcance.

Resumindo: quem realmente trata pacientes, entende dos problemas e se mantém atualizado indo a congressos não está no youtube fazendo vídeos! Está trabalhando demais salvando vidas!

E foi aí que decidi aprender a gravar vídeos e criar um canal no youtube para entregar conteúdo de qualidade e com embasamento científico sobre cirurgia de cabeça e pescoço e tireóide. 

 

Canal no Youtube

Quem já viu algum vídeo do meu canal no youtube ou até uma Live percebe que eu fico muito natural em frente às câmeras, mas isso é esperado após 3 anos fazendo vídeos toda semana. Nem sempre foi assim, sempre fui muito tímido e meus primeiros vídeos foram muito ruins, muuuuito ruins. 

Fico muito feliz em ter conseguido superar as minhas dificuldades pois hoje ajudo milhares de pessoas passando informação de qualidade através dos meus vídeos. E foi graças a esses vídeos e toda a gratidão e energia positiva que recebo de volta que tudo na minha vida tem dando tão certo!

Só tenho a agradecer toda a sorte que tive e a todas as pessoas que me ajudaram nessa jornada! Nesses últimos 10 anos me formei médico, cirurgião geral, cirurgião de cabeça e pescoço, mestrado quase concluído, aprovado no título de especialista, já sou professor universitário de anatomia, me casei com o amor da minha vida, ganhei meus 3 filhos pet, viajei muito, e hoje amo meu trabalho e estou exatamente onde eu gostaria de estar, praticando Medicina de qualidade (livre de plantões e de depender dos planos de saude) e ajudando milhares de pessoas todos os dias através de informação de qualidade, metas que eu achava que seriam batidas aos 50. Mas tudo isso ainda é bem pouco perto do que está por vir!

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A saída foi atender particular

É engraçado como após 10 anos de treinamento – 6 anos de faculdade, 4 anos de residência – saímos totalmente despreparados para o mercado de trabalho, e uma paciente conseguiu me mostrar o caminho certo.


No últimos meses da residência, percebi essa deficiência e me dediquei a aprender o básico sobre marketing digital. Após estudar no Google e no Youtube, montei um site, criei um blog, fiz vídeos para o youtube, abri uma página no facebook e no Instagram. Mas naquela época não acreditava tanto no potencial disso, pois não via quase nenhum médico produzindo conteúdo e os que produziam geralmente não eram especialista em nada.


“As pessoas só usam as redes sociais para entretenimento” eu pensava. “Só querem saber do Whindersson Nunes”.


Minha rotina no começo era bem corrida, pois fazia tudo o que os outros faziam sem saber o que de fato funcionava e quase não tinha tempo livre: atendia planos de saúde num consultório em um Hospital conhecido, atendia numa clínica popular no centro da cidade, operava pacientes SUS em um hospital meio trash, atendia em várias cidades do interior do estado e ainda dava plantões como cirurgião geral para complementar a renda.


“O começo sempre é difícil.”

“Atenda todos os planos de saúde para ficar conhecido”

“Vá para o consultório e fique estudando, mesmo que não tenha nenhum paciente”

“Faça consultório todo dia.”

“Os pacientes vão vir aos poucos.”


Isso era o que eu escutava dos mais antigos. Esses conselhos funcionaram muito bem em outra época. Mas isso tem mudado com a Internet.


Os planos de saúde foram uma grande decepção e ter esse atravessador não me agradou nem um pouco

  1. Não me trouxeram pacientes como eu achava que trariam. É comum acreditar que pagam menos mas vão trazer um volume elevado de pacientes. Mesmo fazendo marketing, poucos pacientes marcavam consulta e alguns deles eram bem incômodos…

  2. Havia pacientes arrogantes que, por pagarem caro pelo plano, se achavam superiores e me tratavam de forma quase desrespeitosa, demandando solicitações de exames desnecessários e encaminhamentos para procedimentos desnecessários como forma de compensar o valor pago pelo plano.

  3. Havia pacientes que vinham para a consulta só para testar se os médicos anteriores estavam fazendo correto. Alguns diziam logo no começo da consulta, outros não diziam mas era possível saber pois havia o nome do colega na requisição dos exames. Uma relação que se iniciava com desconfiança.

  4. O valor que os planos pagavam por cirurgia era baixíssimo e, para compensar, via colegas utilizando códigos errados ou solicitando aparelhos desnecessários para receber compensação por fora, como se pagar mal justificasse fraudar o sistema.

E tive experiências muito tristes com o SUS:

  1. Barreiras desnecessárias para operar pacientes oncológicos (exemplos – atrasos de semanas em autorizar a cirurgia, exigir uma biópsia confirmando que é câncer antes de operar quando muitas vezes a própria cirurgia é para obter a biópsia e coletar o material)

  2. Resultados de biópsias atrasando o tratamento, ao ponto de em um caso, após 45 dias, o paciente se tornar paliativo e perder a única chance que ainda tinha.

  3. Hospital segurando paciente na UTI por mais dias do que o necessário apenas para não receber pacientes mais graves das UPAS.

  4. Fraudes cometidas por colegas nas mais diversas formas.

  5. Atraso e instabilidade nos pagamentos – 7 meses trabalhando para começar a pagar. Comecei a receber quando já havia desistido de trabalhar nessas condições.

“Errado é errado mesmo que todos estejam fazendo, e o certo é certo mesmo que ninguém esteja fazendo


Até que atendi uma paciente que colocou em palavras o que intuitivamente eu já estava percebendo. Esse feedback me mostrou o caminho certo, que muitos médicos ainda não perceberam.


Atendi essa paciente na clínica popular em Fortaleza. Após o atendimento, ela agradeceu pela consulta, me contou que havia perdido o plano de Saúde e agora tudo era particular, consultas e exames. Então disse que sempre procurava no Google quando precisava de um médico, viu meus vídeos, gostou e marcou a consulta particular. E soltou isso:


“Quem paga consulta particular não tem essa opção de ficar indo a vários médicos e ouvindo várias opiniões diferentes, como no planos de saúde. Quando a consulta é particular, procuro ao máximo ir no médico certo, por isso pesquiso muito antes da consulta até ter certeza que aquele é o médico que vai resolver o meu problema.”


Desde esse atendimento, tracei um plano para captar mais pacientes como ela e trabalhar apenas nesses locais onde eu me sentia bem atendendo. Aos poucos fui conseguindo atingir esse objetivo. E hoje atendo e opero até pacientes de outros esatdos que viajam até Fortaleza para vir operar comigo.

 
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Cirurgias

Para oferecer um serviço de qualidade e atendimento como eu gostaria de ser tratado, realizo apenas cirurgias particulares. Vejo muitos colegas operando 10 cirurgias num dia, virando a noite em plantões e no dia seguinte mais cirurgias. Eu não gostaria de ser operado por um médico cansado. Algumas decisões durante a cirurgia podem trazer consequências para o resto da vida do paciente, e é preciso estar muito bem preparado fisicamente e mentalmente para assumir essa responsabilidade.


Marco apenas um ou 2 casos por turno para operar sem pressa e me dedicando ao máximo em cada caso, sem sofrer pressão de gestores ou de uma fila muito longa. Sempre que entro em cirurgia, a principal preocupação é em fazer tudo o que for possível para resolver o problema, mesmo que as vezes isso signifique prolongar o tempo de cirurgia, algo difícil de fazer quando há mais 9 cirurgias marcadas para o mesmo dia...


Cirurgia é o verdadeiro encontro da ciência e da arte. Muita habilidade manual, conhecimento teórico e prático aliados à intuição,  sorte e trabalho em equipe para tomar as melhores decisões. Não é possível apressar a arte, a pressa aumenta a chance de erros e lesões que na cirurgia da tireóide são bastante desagradáveis.

Consegui montar uma equipe de excelência com profissionais extremamente capacitados e humanos, que tem a mesma filosofia de trabalho que eu, apaixonados pelo que fazem e comprometidos com os melhores resultados. Estamos em constante discussão para sempre melhorar os nossos protocolos e resultados.