Dr. Jônatas Catunda

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Hipotireoidismo: Sintomas, Causas e Tratamento Completo 2026

Hipotireoidismo causa cansaço, ganho de peso, queda de cabelo, frio e depressão. Principal causa: Hashimoto (autoimune). Diagnóstico: TSH alto. Tratamento: levotiroxina (Puran T4, Euthyrox). Dose individual, ajuste conforme TSH. Dr. Jônatas Catunda explica.

06 de fevereiro de 20269 min de leitura
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Hipotireoidismo: Sintomas, Causas e Tratamento Completo 2026

Hipotireoidismo é a produção insuficiente de hormônios pela tireoide (T3 e T4 baixos, TSH alto). Causa: 90% é tireoidite de Hashimoto (autoimune). Sintomas: fadiga, ganho de peso de 2-5 kg, queda de cabelo, frio, constipação, pele seca, depressão, menstruação irregular. Tratamento: levotiroxina 1x/dia em jejum (dose ajustada pelo TSH). Não tem cura mas controla 100% dos sintomas.

O que é hipotireoidismo

Hipotireoidismo é quando a tireoide não produz hormônios suficientes para as necessidades do corpo. Os hormônios tireoidianos (T3 e T4) regulam o metabolismo de todas as células, controlando temperatura corporal, gasto energético, batimentos cardíacos, função intestinal, humor e muito mais.

Quando faltam esses hormônios, o corpo inteiro "desacelera", causando sintomas variados e inespecíficos que muitas vezes são confundidos com estresse, depressão ou envelhecimento natural.

Como funciona o diagnóstico

O diagnóstico é feito por exames de sangue:

  • TSH elevado: principal marcador (acima de 4-5 mUI/L)
  • T4 livre baixo: confirma hipotireoidismo manifesto
  • T4 livre normal + TSH alto: hipotireoidismo subclínico

O TSH é produzido pela hipófise (glândula no cérebro) e estimula a tireoide a produzir hormônios. Quando a tireoide não responde adequadamente, o TSH sobe tentando compensar.


10 Sintomas do hipotireoidismo

1. Fadiga e cansaço excessivo

  • Mais comum: presente em 90% dos pacientes
  • Cansaço que não melhora com descanso
  • Sonolência diurna
  • Falta de energia para atividades rotineiras

2. Ganho de peso

  • Típico: 2-5 kg (não é obesidade!)
  • Dificuldade para emagrecer
  • Retenção de líquidos
  • Metabolismo lento

Importante: Hipotireoidismo NÃO causa obesidade. Ganhos maiores que 5-7 kg geralmente têm outras causas (dieta, sedentarismo).

3. Intolerância ao frio

  • Sensação de frio quando outros não sentem
  • Mãos e pés sempre gelados
  • Precisa usar casaco quando outros não precisam

4. Queda de cabelo

  • Cabelo ralo, fino, quebradiço
  • Queda difusa (não localizada)
  • Sobrancelhas rarefeitas (terço externo)
  • Pelos do corpo também caem

5. Pele seca e áspera

  • Pele ressecada mesmo usando hidratante
  • Descamação
  • Pele amarelada (acúmulo de caroteno)
  • Mixedema (inchaço da pele)

6. Constipação intestinal

  • Intestino preso crônico
  • Fezes ressecadas
  • Necessidade de laxantes
  • Distensão abdominal

7. Alterações menstruais

  • Menstruação irregular
  • Fluxo aumentado
  • Ciclos mais longos
  • Dificuldade para engravidar
  • Abortos de repetição

8. Depressão e alterações de humor

  • Tristeza persistente
  • Falta de motivação
  • Irritabilidade
  • Ansiedade
  • Problemas de memória e concentração

9. Bradicardia

  • Batimentos cardíacos lentos (menos de 60 bpm)
  • Sensação de coração "fraco"
  • Cansaço aos esforços

10. Rouquidão e voz rouca

  • Voz mais grossa
  • Acúmulo de muco nas cordas vocais
  • Dificuldade para falar por muito tempo

Principais causas do hipotireoidismo

1. Tireoidite de Hashimoto (90% dos casos)

Causa mais comum de hipotireoidismo no Brasil e no mundo.

O que é:

  • Doença autoimune: seu próprio sistema imunológico ataca a tireoide
  • Destruição progressiva do tecido tireoidiano
  • Processo crônico e irreversível

Quem tem mais risco:

  • Mulheres: 10x mais comum (1 em cada 8 mulheres terá Hashimoto)
  • Idade: 30-60 anos (pode ocorrer em qualquer idade)
  • História familiar: 50% dos casos têm parentes com doenças autoimunes
  • Outras doenças autoimunes: diabetes tipo 1, vitiligo, doença celíaca, artrite reumatoide

Diagnóstico:

  • Anti-TPO positivo (90% dos casos)
  • Anti-Tireoglobulina positivo (70% dos casos)
  • Ultrassom de tireoide: textura heterogênea

Importante: Nem todo hipotireoidismo é Hashimoto, mas todo Hashimoto causa hipotireoidismo eventualmente.

2. Pós-radioiodoterapia

Após tratamento de hipertireoidismo ou câncer de tireoide com iodo radioativo.

Quando ocorre:

  • 80% dos pacientes desenvolvem hipotireoidismo no primeiro ano
  • Pode ocorrer anos depois do tratamento

3. Pós-cirurgia de tireoide

Após tireoidectomia total:

  • 100% dos casos: hipotireoidismo permanente (esperado e planejado)
  • Precisa de reposição hormonal vitalícia

Após tireoidectomia parcial:

  • 20-30% dos casos: tireoide restante não consegue compensar
  • Pode ocorrer logo após cirurgia ou anos depois

4. Deficiência de iodo

Rara no Brasil desde 1950 (sal iodado obrigatório).

Onde ainda ocorre:

  • Regiões isoladas sem acesso a sal iodado
  • Países em desenvolvimento
  • Dietas restritivas extremas

5. Medicamentos

Alguns medicamentos podem causar hipotireoidismo:

MedicamentoIndicaçãoMecanismo
AmiodaronaArritmia cardíacaRico em iodo, inibe conversão T4→T3
LítioTranstorno bipolarBloqueia liberação de hormônios
InterferonHepatite CInduz tireoidite autoimune
Inibidores de tirosina-quinaseCâncerDestroem células tireoidianas

6. Tireoidite subaguda

Inflamação da tireoide após infecção viral:

  • Fase inicial: hipertireoidismo transitório (1-2 meses)
  • Fase tardia: hipotireoidismo transitório (2-6 meses)
  • Recuperação: 95% voltam ao normal

Sintomas distintivos:

  • Dor no pescoço
  • Febre
  • Mal-estar

7. Causas congênitas

Hipotireoidismo congênito:

  • 1 em cada 3.000 nascidos vivos
  • Detectado no teste do pezinho
  • Tratamento imediato previne retardo mental

Tratamento do hipotireoidismo

Levotiroxina: o tratamento padrão

Medicamento: levotiroxina sódica (T4 sintético)

Nomes comerciais:

  • Puran T4
  • Euthyrox
  • Levoid
  • Synthroid

Como funciona:

  • Reposição do hormônio que a tireoide não produz
  • Dose individualizada para cada paciente
  • Ajustada conforme resultado do TSH

Posologia correta

Quando tomar:

  • Jejum: 30-60 minutos antes do café da manhã
  • Alternativa: 3-4 horas após última refeição (antes de dormir)

Por que jejum?

  • Alimentos reduzem absorção em até 40%
  • Café, leite e suplementos de cálcio/ferro prejudicam absorção

Como tomar:

  • 💊 Comprimido inteiro com água
  • 🚫 Não mastigar ou dissolver
  • 📅 Mesmo horário todos os dias

Interações importantes

Medicamentos que reduzem absorção (tomar com 4 horas de intervalo):

  • Antiácidos (omeprazol, pantoprazol)
  • Sulfato ferroso (ferro)
  • Carbonato de cálcio
  • Polivitamínicos

Alimentos que interferem:

  • Café (reduz absorção em 30%)
  • Leite e derivados
  • Soja (em grandes quantidades)
  • Farinha de linhaça (em excesso)

Doses e ajustes

Dose inicial típica:

  • Adultos jovens: 1.6 mcg/kg/dia (ex: 70kg = 112 mcg/dia → Puran T4 100 mcg)
  • Idosos ou cardiopatas: começar com doses baixas (25-50 mcg)

Ajuste de dose:

  • Avaliar TSH após 6-8 semanas
  • Ajustar dose em incrementos de 12.5-25 mcg
  • Meta: TSH entre 0.5-2.5 mUI/L (faixa baixa do normal)

Quando aumentar a dose:

  • TSH acima de 2.5-3.0 mUI/L
  • Sintomas persistentes

Quando reduzir a dose:

  • TSH abaixo de 0.5 mUI/L
  • Sintomas de hipertireoidismo (palpitações, ansiedade)

Tempo para melhora dos sintomas

SintomaTempo para melhora
Energia2-4 semanas
Humor/depressão4-6 semanas
Queda de cabelo3-6 meses
Pele seca2-3 meses
Peso2-4 meses (perda de 2-3 kg)
Constipação2-4 semanas

Importante: Sintomas não melhoram da noite para o dia. Paciência!


Hipotireoidismo subclínico

Definição:

  • TSH elevado (5-10 mUI/L)
  • T4 livre normal
  • Sintomas ausentes ou mínimos

Quando tratar:

SituaçãoTratar?
TSH maior que 10✅ Sim
TSH 5-10 + anticorpos positivos✅ Sim
TSH 5-10 + sintomas✅ Considerar
TSH 5-10 + gravidez ou tentando engravidar✅ Sim
TSH 5-10 + colesterol alto✅ Considerar
TSH 5-10 sem sintomas e sem anticorpos⚠️ Observar (repetir em 3-6 meses)

Saiba mais: Hipotireoidismo subclínico


Hipotireoidismo e gravidez

Por que é importante:

  • Hipotireoidismo não tratado aumenta risco de:
    • Aborto
    • Parto prematuro
    • Pré-eclâmpsia
    • Baixo QI do bebê

TSH ideal na gravidez:

  • 1º trimestre: TSH menor que 2.5 mUI/L
  • 2º e 3º trimestres: TSH menor que 3.0 mUI/L

Ajuste de dose:

  • Gravidez aumenta necessidade de hormônio em 30-50%
  • Aumentar dose assim que confirmar gravidez
  • Dosar TSH mensalmente no 1º trimestre

Planejando engravidar:

  • Otimizar TSH antes de engravidar
  • Tomar ácido fólico
  • Informar obstetra sobre hipotireoidismo

Leia mais: Tireoide e Fertilidade (em breve)


Dieta para hipotireoidismo

Verdade:

  • ✅ Dieta equilibrada ajuda no controle do peso
  • ✅ Alguns alimentos podem interferir com levotiroxina

Mito:

  • ❌ Não existe dieta que "cure" hipotireoidismo
  • ❌ Alimentos não aumentam produção de hormônio
  • ❌ Suplementos "naturais" não substituem levotiroxina

Alimentos bociogênicos (moderação)

Alimentos que em excesso podem piorar hipotireoidismo:

  • Crucíferas: brócolis, couve, repolho, couve-flor
  • Soja: leite de soja, tofu (em grandes quantidades)
  • Mandioca: consumo diário e excessivo

Importante: Cozinhar reduz efeito bociogênico em 90%. Pode comer em quantidades normais.

Nutrientes importantes

NutrienteFunçãoFontes
IodoProdução de T3 e T4Sal iodado, peixes marinhos
SelênioConversão T4→T3Castanha-do-pará (2/dia)
ZincoFunção tireoidianaCarnes, ovos, legumes
FerroMetabolismo hormonalCarnes vermelhas, feijão
Vitamina DImunidadeSol, peixes gordos

Leia mais: Dieta para tireoide


Hipotireoidismo tem cura?

Resposta curta: Na maioria dos casos, não tem cura mas tem controle 100% eficaz.

Exceções com cura:

  • Tireoidite subaguda (95% recuperam)
  • Hipotireoidismo por medicamentos (reversível após suspender)
  • Deficiência de iodo (reversível com iodo)

Hashimoto não tem cura:

  • Doença autoimune crônica
  • Destruição da tireoide é irreversível
  • Tratamento é vitalício

Boa notícia:

  • Levotiroxina controla 100% dos sintomas
  • Medicamento seguro, barato e eficaz
  • Vida normal com tratamento adequado
  • Não há restrições de atividades

Complicações do hipotireoidismo não tratado

Coma mixedematoso (raro, grave)

O que é:

  • Complicação extrema do hipotireoidismo severo não tratado
  • Mortalidade de 30-40%

Sintomas:

  • Confusão mental progressiva
  • Hipotermia (temperatura corporal menor que 35°C)
  • Bradicardia severa
  • Diminuição da consciência até coma

Quando ocorre:

  • Hipotireoidismo não diagnosticado por anos
  • Suspensão abrupta do tratamento
  • Idosos com infecção ou exposição ao frio

Outras complicações

Cardiovasculares:

  • Colesterol alto
  • Insuficiência cardíaca
  • Derrame pericárdico (líquido ao redor do coração)

Reprodutivas:

  • Infertilidade
  • Abortos de repetição
  • Problemas fetais na gravidez

Psiquiátricas:

  • Depressão refratária
  • Demência reversível

Perguntas frequentes


Quando procurar um especialista

Procure um endocrinologista se:

  • ✅ TSH elevado em exame de rotina
  • ✅ Sintomas de hipotireoidismo (especialmente fadiga + ganho de peso + frio)
  • ✅ História familiar de doença autoimune
  • ✅ Planejando engravidar e tem hipotireoidismo
  • ✅ Sintomas persistem mesmo em tratamento
  • ✅ Dificuldade para ajustar dose (TSH oscila muito)

Marque consulta com cirurgião de cabeça e pescoço se:

  • Nódulo na tireoide associado a hipotireoidismo
  • ✅ Bócio volumoso causando sintomas compressivos
  • ✅ Hashimoto com indicação cirúrgica

Conclusão

Hipotireoidismo é uma condição crônica mas perfeitamente controlável. Com o diagnóstico correto, tratamento adequado com levotiroxina e acompanhamento médico regular, você terá vida 100% normal sem restrições.

O segredo está em:

  • ✅ Tomar medicamento corretamente (jejum, mesmo horário)
  • ✅ Fazer exames de controle (TSH a cada 6-12 meses)
  • ✅ Não suspender tratamento por conta própria
  • ✅ Comunicar sintomas persistentes ao médico
Dr. Jônatas Catunda

Sobre o autor

Dr. Jônatas Catunda

CRM-CE 14951 • RQE 8522

Cirurgião de Cabeça e Pescoço, especialista em tireoide. Formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com residência em Cirurgia Geral no Instituto Dr. José Frota e em Cirurgia de Cabeça e Pescoço no Hospital Universitário Walter Cantídio. Mestrado e Doutorado pela UFC.

Professor de Anatomia
13 anos de formado
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