Dr. Jônatas Catunda

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Bethesda 4, 5 ou 6 na PAAF da Tireoide: O Que Fazer Agora?

Recebeu resultado Bethesda 4, 5 ou 6 na punção da tireoide? Entenda o que cada categoria significa, qual o risco real de câncer e por que a cirurgia é indicada. Dr. Jônatas Catunda explica.

13 de março de 20264 min de leitura
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Bethesda 4, 5 ou 6 na PAAF da Tireoide: O Que Fazer Agora?

Receber um resultado de PAAF com Bethesda 4, 5 ou 6 é assustador — mas não é sinônimo de sentença. Entender o que cada categoria realmente significa e qual é o próximo passo certo faz toda a diferença para tomar uma decisão tranquila e fundamentada.


O que é a classificação de Bethesda?

A escala de Bethesda é o sistema internacional que classifica os resultados da punção da tireoide (PAAF) em 6 categorias, do menos para o mais preocupante. Cada categoria tem um risco estimado de malignidade e uma conduta recomendada:

BethesdaNomeRisco de câncerConduta habitual
IAmostra insatisfatóriaIndefinidoRepetir PAAF
IIBenignoMenor que 3%Observar
IIIAtipia de significado indeterminado10–30%Repetir ou teste molecular
IVNeoplasia folicular25–40%Cirurgia recomendada
VSuspeito para malignidade60–75%Cirurgia
VIMaligno97–99%Cirurgia obrigatória

Bethesda IV — Neoplasia Folicular Suspeita

O que significa

Bethesda IV não é diagnóstico de câncer — é uma categoria de incerteza. As células encontradas na punção têm padrão que pode ser de adenoma folicular (benigno) ou carcinoma folicular (maligno). A PAAF não consegue diferenciar os dois: para isso, é necessário examinar a cápsula do nódulo, o que só é possível após a remoção cirúrgica.

Risco real

  • 25 a 40% de chance de ser câncer
  • 60 a 75% de chance de ser benigno

Conduta

A cirurgia é recomendada para obter o diagnóstico definitivo. Geralmente começa com lobectomia (retirada do lobo onde está o nódulo):

  • Se a análise da peça confirmou adenoma benigno: cirurgia encerrada
  • Se confirmou carcinoma folicular: pode ser necessária complementação com tireoidectomia total

Alternativa em casos selecionados: teste molecular (Afirma, ThyroSeq) para estratificar melhor o risco antes de decidir pela cirurgia. Conversação com cirurgião especialista é essencial para definir o melhor caminho.


Bethesda V — Suspeito para Malignidade

O que significa

As células têm características fortemente sugestivas de câncer, mas não preenchem todos os critérios diagnósticos. Na maioria dos casos, a suspeita é de carcinoma papilífero, o tipo mais comum de câncer de tireoide.

Risco real

  • 60 a 75% de chance de ser câncer
  • O risco é alto o suficiente para indicar cirurgia sem aguardar mais exames

Conduta

Cirurgia indicada. O tipo de cirurgia depende do tamanho do nódulo e da presença de linfonodos suspeitos:

  • Lobectomia: para tumores pequenos (menor que 4 cm) sem extensão para linfonodos
  • Tireoidectomia total: para tumores maiores, múltiplos ou com suspeita de metástase

A escolha é feita na consulta pré-operatória com base no seu ultrassom e na avaliação clínica.


Bethesda VI — Maligno

O que significa

O diagnóstico de malignidade está estabelecido. As células confirmam a presença de células cancerosas. Na maioria dos casos, é carcinoma papilífero de tireoide — o tipo com melhor prognóstico entre todos os cânceres: taxa de cura superior a 95% quando tratado corretamente.

Risco real

  • 97 a 99% de chance de ser câncer
  • O tipo mais comum (papilífero) tem crescimento lento e excelente resposta ao tratamento

Conduta

Cirurgia obrigatória, programada com segurança — em semanas, não anos. A urgência é real, mas não é emergência: há tempo para avaliar bem o caso, escolher o cirurgião e planejar a cirurgia com calma.

Dependendo do tamanho e das características do tumor:


Por que escolher um cirurgião especialista em tireoide?

A tireoide é vizinha de estruturas nobres: o nervo laríngeo recorrente (controla a voz) e as paratireoides (controlam o cálcio). Complicações como rouquidão permanente e queda de cálcio são raras quando a cirurgia é feita por quem opera tireoide com frequência.

Cirurgião de cabeça e pescoço especializado em tireoide:

  • Opera volume alto de tireoidectomias por ano
  • Identifica e preserva as paratireoides sistematicamente
  • Monitora o nervo laríngeo durante a cirurgia (neuromonitorização)
  • Taxa de complicações significativamente menor que cirurgião geral

Perguntas frequentes


Quando procurar avaliação cirúrgica

Após receber resultado Bethesda IV, V ou VI:

  • ✅ Consulte um cirurgião especialista em cabeça e pescoço — não apenas o endocrinologista
  • ✅ Leve todos os seus exames: PAAF, laudos de ultrassom, exames de sangue (TSH, T4 livre)
  • ✅ Pergunte sobre o volume de tireoidectomias que o cirurgião realiza por ano
  • ✅ Pergunte se ele utiliza neuromonitorização intraoperatória

Conclusão

Bethesda IV, V e VI são resultados que indicam cirurgia — cada um com seu grau de urgência e com sua extensão cirúrgica mais adequada. O câncer de tireoide, quando diagnosticado, é um dos de melhor prognóstico. O tratamento correto, feito por cirurgião especialista, leva à cura na grande maioria dos casos.

Dr. Jônatas Catunda

Sobre o autor

Dr. Jônatas Catunda

CRM-CE 14951 • RQE 8522

Cirurgião de Cabeça e Pescoço, especialista em tireoide. Formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com residência em Cirurgia Geral no Instituto Dr. José Frota e em Cirurgia de Cabeça e Pescoço no Hospital Universitário Walter Cantídio. Mestrado e Doutorado pela UFC.

Professor de Anatomia
13 anos de formado
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