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Punção da Tireoide (PAAF): Como é Feito, Dói? Anestesia? | Guia 2026

PAAF da tireoide explicada: como é feito o procedimento com ultrassom, se dói, tipos de anestesia, necessidade de sedação, riscos e quando repetir o exame. Tire todas as dúvidas com Dr. Jônatas Catunda.

06 de fevereiro de 20263 min de leitura
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Punção da Tireoide (PAAF): Como é Feito, Dói? Anestesia? | Guia 2026

A punção da tireoide (PAAF) é um exame que coleta células de nódulos usando agulha fina guiada por ultrassom para avaliar se é benigno ou maligno. Dói moderadamente (como uma injeção), pode ser feita com ou sem anestesia local, não precisa sedação, dura 5-10 minutos e tem baixíssimo risco. Cerca de 10% das punções precisam ser repetidas por material insuficiente.

O que é PAAF - punção aspirativa por agulha fina?

A PAAF consiste em inserir uma agulha em um nódulo da tireoide e aspirar algumas células para avaliar se é maligno ou benigno. Atualmente, como mais de 90% dos nódulos não são palpáveis, a PAAF tem que ser guiada por ultrassom.

Como funciona o procedimento

  1. Paciente deita-se em posição supina (barriga para cima)
  2. Ultrassom localiza o nódulo
  3. Agulha fina (calibre 23-25G) é inserida no nódulo
  4. Material é aspirado e colocado em lâminas
  5. Amostra é enviada para análise classificação de Bethesda

A punção da tireoide dói?

Sim, dói moderadamente. A dor é comparável a uma injeção intramuscular. A agulha precisa atravessar:

  • Pele
  • Tecido subcutâneo
  • Músculos do pescoço
  • Cápsula da tireoide

Nível de dor

  • Leve a moderado na maioria dos casos
  • Suportável sem necessidade de sedação
  • Rápido: desconforto dura apenas alguns segundos durante a punção

A punção tem anestesia?

Depende do médico e do paciente. Há duas opções:

Opção 1: Com anestesia local

  • Anestésico subcutâneo aplicado antes
  • Desvantagem: são 2 furadas (anestesia + punção)
  • A furada da anestesia também dói
  • Segunda furada não dói, mas desconforto permanece

Opção 2: Sem anestesia

  • Apenas 1 furada (direto a punção)
  • Dor moderada mas rápida
  • Procedimento mais ágil

Minha abordagem: deixo o paciente escolher. A maioria prefere com anestesia. O importante é manter a calma durante o procedimento.

O paciente fica sedado durante o exame?

Não. A PAAF não precisa de sedação.

Por que não usar sedação?

Durante o exame, o paciente precisa cooperar para que dê tudo certo:

  • A tireoide se move junto com a laringe ao falar, deglutir ou tossir
  • No momento da agulhada, o paciente deve evitar engolir
  • A agulha está dentro da tireoide e pode se mover se o paciente engolir

O que o paciente precisa fazer

  • Ficar imóvel durante a coleta (5-10 segundos)
  • Não engolir enquanto a agulha está inserida
  • Respirar normalmente mas suavemente
  • Manter a calma para facilitar o procedimento

Se houver mais de um nódulo?

Nos casos de mais de 1 nódulo, cada um será avaliado separadamente quanto à indicação de se puncionar. Se for necessário puncionar 2, 3 ou 4 nódulos, vale a pena anestesiar a pele para reduzir o desconforto. Na maioria das vezes, punciono no máximo 2 nódulos, apenas os mais suspeitos.

Quais os riscos da punção da tireoide?

Como todo procedimento, a PAAF tem riscos, mas são muito baixos.

Contraindicações

  • Distúrbios da coagulação
  • Plaquetopenia (plaquetas baixas)
  • Uso de anticoagulantes (avaliar caso a caso)

Complicações (raras)

  • Dor após o exame (1-2 dias)
  • Equimose (arroxeado no local da punção)
  • Hematoma cervical (muito raro)
  • Rouquidão transitória (raríssimo)

Taxa de complicações: menos de 1%

Quando é necessário repetir a PAAF?

Cerca de 10% das punções não obtêm material suficiente para análise e devem ser repetidas (resultado Bethesda I).

Causas de material insuficiente

  • Nódulo cístico: muito líquido, poucas células
  • Sangramento durante a coleta
  • Técnica: depende da experiência do médico
  • Análise laboratorial: qualidade do patologista
  • Anatomia: pescoço curto dificulta acesso

Taxa de sucesso na segunda tentativa

  • 50-80% das punções repetidas obtêm resultado
  • Alguns casos precisam de 2-3 tentativas
  • Quando não há diagnóstico após múltiplas tentativas, pode-se considerar cirurgia
Dr. Jônatas Catunda

Sobre o autor

Dr. Jônatas Catunda

CRM-CE 14951 • RQE 8522

Cirurgião de Cabeça e Pescoço, especialista em tireoide. Formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com residência em Cirurgia Geral no Instituto Dr. José Frota e em Cirurgia de Cabeça e Pescoço no Hospital Universitário Walter Cantídio. Mestrado e Doutorado pela UFC.

Professor de Anatomia
13 anos de formado
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