A punção da tireoide (PAAF) é um exame que coleta células de nódulos usando agulha fina guiada por ultrassom para avaliar se é benigno ou maligno. Dói moderadamente (como uma injeção), pode ser feita com ou sem anestesia local, não precisa sedação, dura 5-10 minutos e tem baixíssimo risco. Cerca de 10% das punções precisam ser repetidas por material insuficiente.
O que é PAAF - punção aspirativa por agulha fina?
A PAAF consiste em inserir uma agulha em um nódulo da tireoide e aspirar algumas células para avaliar se é maligno ou benigno. Atualmente, como mais de 90% dos nódulos não são palpáveis, a PAAF tem que ser guiada por ultrassom.
Como funciona o procedimento
- Paciente deita-se em posição supina (barriga para cima)
- Ultrassom localiza o nódulo
- Agulha fina (calibre 23-25G) é inserida no nódulo
- Material é aspirado e colocado em lâminas
- Amostra é enviada para análise classificação de Bethesda
A punção da tireoide dói?
Sim, dói moderadamente. A dor é comparável a uma injeção intramuscular. A agulha precisa atravessar:
- Pele
- Tecido subcutâneo
- Músculos do pescoço
- Cápsula da tireoide
Nível de dor
- Leve a moderado na maioria dos casos
- Suportável sem necessidade de sedação
- Rápido: desconforto dura apenas alguns segundos durante a punção
A punção tem anestesia?
Depende do médico e do paciente. Há duas opções:
Opção 1: Com anestesia local
- Anestésico subcutâneo aplicado antes
- Desvantagem: são 2 furadas (anestesia + punção)
- A furada da anestesia também dói
- Segunda furada não dói, mas desconforto permanece
Opção 2: Sem anestesia
- Apenas 1 furada (direto a punção)
- Dor moderada mas rápida
- Procedimento mais ágil
Minha abordagem: deixo o paciente escolher. A maioria prefere com anestesia. O importante é manter a calma durante o procedimento.
O paciente fica sedado durante o exame?
Não. A PAAF não precisa de sedação.
Por que não usar sedação?
Durante o exame, o paciente precisa cooperar para que dê tudo certo:
- A tireoide se move junto com a laringe ao falar, deglutir ou tossir
- No momento da agulhada, o paciente deve evitar engolir
- A agulha está dentro da tireoide e pode se mover se o paciente engolir
O que o paciente precisa fazer
- Ficar imóvel durante a coleta (5-10 segundos)
- Não engolir enquanto a agulha está inserida
- Respirar normalmente mas suavemente
- Manter a calma para facilitar o procedimento
Se houver mais de um nódulo?
Nos casos de mais de 1 nódulo, cada um será avaliado separadamente quanto à indicação de se puncionar. Se for necessário puncionar 2, 3 ou 4 nódulos, vale a pena anestesiar a pele para reduzir o desconforto. Na maioria das vezes, punciono no máximo 2 nódulos, apenas os mais suspeitos.
Quais os riscos da punção da tireoide?
Como todo procedimento, a PAAF tem riscos, mas são muito baixos.
Contraindicações
- Distúrbios da coagulação
- Plaquetopenia (plaquetas baixas)
- Uso de anticoagulantes (avaliar caso a caso)
Complicações (raras)
- Dor após o exame (1-2 dias)
- Equimose (arroxeado no local da punção)
- Hematoma cervical (muito raro)
- Rouquidão transitória (raríssimo)
Taxa de complicações: menos de 1%
Quando é necessário repetir a PAAF?
Cerca de 10% das punções não obtêm material suficiente para análise e devem ser repetidas (resultado Bethesda I).
Causas de material insuficiente
- Nódulo cístico: muito líquido, poucas células
- Sangramento durante a coleta
- Técnica: depende da experiência do médico
- Análise laboratorial: qualidade do patologista
- Anatomia: pescoço curto dificulta acesso
Taxa de sucesso na segunda tentativa
- 50-80% das punções repetidas obtêm resultado
- Alguns casos precisam de 2-3 tentativas
- Quando não há diagnóstico após múltiplas tentativas, pode-se considerar cirurgia





