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Hiperparatireoidismo: O Que É, Sintomas e Tratamento | Guia 2026

Hiperparatireoidismo é o excesso de PTH que eleva o cálcio no sangue. 70% dos casos são assintomáticos. Diagnóstico é feito por exame de sangue. Tratamento: cirurgia.

05 de março de 20263 min de leitura
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O hiperparatireoidismo é uma doença comum, mas extremamente subdiagnosticada: mais de 70% dos pacientes são completamente assintomáticos e só descobrem o problema em exames de rotina. Acomete principalmente mulheres e sua incidência aumenta com a idade.

O que é hiperparatireoidismo?

Hiperparatireoidismo é o excesso de paratormônio (PTH), um hormônio produzido pelas glândulas paratireoides — quatro pequenas estruturas localizadas no pescoço, muito próximas à tireoide.

O PTH é responsável por regular os níveis de cálcio no sangue. Quando ele é produzido em excesso, os níveis de cálcio sobem além do normal — condição chamada de hipercalcemia — e isso pode causar danos em vários órgãos.

Valores de referência

ExameNormal
Cálcio total8,5 – 10,5 mg/dL
PTH15 – 65 pg/mL

Tipos de hiperparatireoidismo

Hiperparatireoidismo primário (90% dos casos)

Causado por doença na própria paratireoide:

  • Adenoma (tumor benigno em 1 glândula): 85% dos casos
  • Hiperplasia (todas as 4 glândulas aumentadas): 15% — frequentemente ligada a doenças genéticas como MEN1 e MEN2A
  • Carcinoma de paratireoide: menos de 1% — forma rara e agressiva

Hiperparatireoidismo secundário

Causado por outra doença que força as paratireoides a trabalhar mais:

  • Insuficiência renal crônica (principal causa): pacientes em hemodiálise têm todas as glândulas acometidas — forma mais grave e deletéria
  • Deficiência severa de vitamina D
  • Má absorção intestinal

Hiperparatireoidismo terciário

Ocorre após anos de hiperparatireoidismo secundário sem tratamento adequado. As glândulas tornam-se autônomas e continuam produzindo PTH mesmo após correção da causa original. Frequentemente exige cirurgia.


Sintomas do hiperparatireoidismo

70% dos pacientes não têm sintomas

A maioria dos casos é descoberta por acaso, em exame de sangue de rotina que mostra cálcio elevado. Por isso, é fundamental que médicos identifiquem e investiguem a hipercalcemia — um sinal laboratorial que não deve ser ignorado.

Sintomas clássicos (quando a doença está mais avançada)

Rins ("pedras"):

  • Cálculos renais recorrentes
  • Nefrocalcinose (depósito de cálcio nos rins)
  • Insuficiência renal progressiva

Ossos ("ossos"):

  • Osteoporose, especialmente em pacientes jovens
  • Dor óssea
  • Fraturas patológicas (por osso frágil, sem trauma relevante)

Sintomas gastrointestinais ("gemidos"):

  • Úlcera péptica
  • Pancreatite
  • Constipação intestinal, náuseas

Sintomas inespecíficos (frequentes, mas subestimados):

  • Fadiga e fraqueza muscular
  • Dores pelo corpo
  • Depressão, ansiedade, alterações de humor
  • Dificuldade de concentração
  • Distúrbios do sono

Como é feito o diagnóstico?

O hiperparatireoidismo é uma das poucas doenças com diagnóstico exclusivamente laboratorial.

Dois exames confirmam o diagnóstico:

  1. Cálcio elevado no sangue (acima de 10,5 mg/dL)
  2. PTH elevado (ou inadequadamente normal para o nível de cálcio)

Esses dois resultados juntos, em dois momentos diferentes, fecham o diagnóstico.

Exames de localização (após confirmar o diagnóstico)

Antes da cirurgia, é preciso localizar qual glândula está doente:

ExamePrecisão
Cintilografia MIBI (sestamibi)80–90%
Ultrassom cervicalcomplementar
TC 4Dcasos complexos
PET-colinarecidivas e localização difícil

Tratamento do hiperparatireoidismo

O único tratamento definitivo é cirúrgico — a paratireoidectomia.

A cirurgia remove a glândula doente (adenoma único) ou, nos casos de hiperplasia, as glândulas aumentadas. É feita com anestesia geral, por uma incisão pequena de 3 a 5 cm no pescoço.

Quando operar?

Indicações formais de cirurgia:

  • Cálcio acima de 11 mg/dL
  • Cálculo renal ou nefrocalcinose
  • Osteoporose (T-score abaixo de -2,5)
  • Idade abaixo de 50 anos
  • Fratura por fragilidade óssea
  • Função renal reduzida (FG < 60 mL/min)

Pacientes assintomáticos com cálcio discretamente elevado podem ser monitorados — mas a maioria dos especialistas recomenda operar para evitar progressão.

Resultados

  • Taxa de cura: 95–98%
  • Alta hospitalar: em 1 dia
  • Retorno ao trabalho leve: 7 a 15 dias
  • O principal cuidado pós-operatório é monitorar o cálcio, que pode cair temporariamente após a cirurgia

Perguntas frequentes


O hiperparatireoidismo é tratável e tem excelente prognóstico quando diagnosticado a tempo. Não deixe um cálcio alto no exame de sangue passar sem investigação — pode ser o único sinal de uma doença que está, silenciosamente, prejudicando seus rins e seus ossos.

Se este artigo te ajudou

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Dr. Jônatas Catunda

Sobre o autor

Dr. Jônatas Catunda

CRM-CE 14951 • RQE 8522

Cirurgião de Cabeça e Pescoço, especialista em tireoide. Formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com residência em Cirurgia Geral no Instituto Dr. José Frota e em Cirurgia de Cabeça e Pescoço no Hospital Universitário Walter Cantídio. Mestrado e Doutorado pela UFC.

Por que isso importa para você

• Explicação clara de exames como ultrassom, PAAF, Bethesda, tireoglobulina e risco cirúrgico

• Experiência prática com casos de nódulo, câncer de tireoide, linfonodos e seguimento

• Conteúdo feito para ajudar o paciente a decidir melhor, não para assustar ou empurrar tratamento

Professor de Anatomia
13 anos de formado
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