Dr. Jônatas Catunda

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Cirurgia de Paratireoide: Quando Operar e Recuperação | Guia 2026

Paratireoidectomia trata hiperparatireoidismo (cálcio alto). Indicações: cálcio maior que 11, pedra nos rins, osteoporose. Cura: 95%. Dr. Jônatas explica.

06 de fevereiro de 20266 min de leitura
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Cirurgia de Paratireoide: Quando Operar e Recuperação | Guia 2026

Cirurgia de paratireoide (paratireoidectomia) remove adenoma que produz PTH excessivo causando hiperparatireoidismo (cálcio alto). Indicações: cálcio maior que 11 mg/dL, pedras nos rins recorrentes, osteoporose, idade menor que 50 anos, fraturas. Cura: 95% após cirurgia. Localização pré-op: cintilografia MIBI, ultrassom. Cirurgia: incisão 3-5 cm, remove 1 glândula (adenoma) ou várias (hiperplasia). Risco hipocalcemia pós-op: 5-10% temporária. Recuperação: alta 1 dia, volta trabalho 7-15 dias.

O que são as paratireoides?

4 glândulas pequenas (tamanho de ervilha) atrás da tireoide.

Função

  • Produzem paratormônio (PTH)
  • PTH regula cálcio no sangue
  • Cálcio normal: 8.5-10.5 mg/dL

Localização

  • 2 superiores + 2 inferiores
  • Atrás dos lobos da tireoide
  • Próximas ao nervo laríngeo recorrente

O que é hiperparatireoidismo?

Produção excessiva de PTH → cálcio alto no sangue.

Tipos

Primário (90% dos casos):

  • Adenoma (tumor benigno) em 1 glândula: 85%
  • Hiperplasia (4 glândulas aumentadas): 15%
  • Carcinoma (câncer): menos de 1%

Secundário:

  • Insuficiência renal crônica
  • Deficiência vitamina D
  • Tratamento clínico (não cirúrgico)

Terciário:

  • Após anos de secundário
  • Glândulas ficam autônomas
  • Pode precisar cirurgia

Sintomas de hiperparatireoidismo

Sintomas clássicos (pedras, ossos, gemidos)

"Pedras" - Renais:

  • Cálculos renais recorrentes (50% dos casos)
  • Nefrocalcinose (cálcio nos rins)
  • Insuficiência renal

"Ossos" - Osteoporose:

  • Dor óssea
  • Fraturas fáceis
  • Osteoporose precoce (densidade mineral baixa)

"Gemidos" - Gastrointestinais:

  • Úlcera péptica
  • Pancreatite
  • Constipação

Outros sintomas:

  • Fadiga, fraqueza
  • Depressão, alterações de humor
  • Confusão mental
  • Hipertensão

Assintomático (50% dos casos)

  • Descoberto em exame de rotina (cálcio alto)
  • Ainda assim pode precisar cirurgia

Quando operar paratireoide?

Indicações absolutas (TODOS devem operar)

Cálcio maior que 11 mg/dL

  • Risco de crise hipercalcêmica

Idade menor que 50 anos

  • Doença progride com tempo
  • Anos de cálcio alto causam complicações

Pedras nos rins (nefrolitíase)

  • Cálcio alto causa cálculos recorrentes

Osteoporose (T-score menor que -2.5)

  • Cálcio alto "rouba" cálcio dos ossos

Fratura óssea por fragilidade

  • Osteoporose grave

Clearance creatinina menor que 60

  • Função renal comprometida

Indicações relativas

⚠️ Cálcio 10.5-11 mg/dL:

  • Pode operar ou observar (depende de sintomas)

⚠️ Sintomas inespecíficos:

  • Fadiga extrema, depressão refratária
  • Melhora após cirurgia em 70-80%

Exames para localizar paratireoide doente

Cintilografia MIBI (Sestamibi)

  • Mais importante
  • Detecta adenoma em 80-90%
  • Mostra qual glândula está doente

Ultrassom de pescoço

  • Complementa cintilografia
  • Detecta 60-70% adenomas
  • Barato e disponível

Tomografia 4D

  • Casos difíceis (cintilografia negativa)
  • Adenomas ectópicos (mediastino)

PET-CT com Colina

  • Casos complexos
  • Mais caro
  • Detecta 95% adenomas

Importante: Localização pré-operatória aumenta sucesso cirúrgico para 95-98%.


Tipos de cirurgia de paratireoide

Paratireoidectomia minimamente invasiva (preferida)

Quando:

  • Adenoma único localizado na cintilografia

Técnica:

  • Incisão 2-3 cm
  • Remove apenas glândula doente
  • Sem exploração completa

Vantagens:

  • Menor cicatriz
  • Cirurgia mais rápida (30-60 min)
  • Recuperação mais rápida

Exploração cervical bilateral (tradicional)

Quando:

  • Hiperplasia (4 glândulas doentes)
  • Adenoma NÃO localizado
  • Suspeita múltiplos adenomas

Técnica:

  • Incisão 4-6 cm
  • Explora todas 4 glândulas
  • Remove doentes, preserva normais

Hiperplasia: Remove 3.5 glândulas (deixa 0.5 para produzir PTH)


Riscos da cirurgia de paratireoide

ComplicaçãoRiscoDetalhes
Hipocalcemia temporária5-10%Cálcio baixo 1-3 meses, suplementar
Hipocalcemia permanente1-2%Raro, precisa cálcio vitalício
Rouquidão1-2%Lesão nervo laríngeo
SangramentoMenor que 1%Reoperação urgência
Persistência2-5%Adenoma não encontrado
Recorrência1-2%Doença volta anos depois

Comparação: Riscos similares à tireoidectomia.


Recuperação pós-operatória

Internação

  • 1 dia: maioria alta no dia seguinte
  • Dosar cálcio 6h após cirurgia

Primeiros dias

  • Dor leve (2-4/10)
  • Suplementar cálcio + vitamina D preventivo
  • Sintomas hipocalcemia: formigamento, cãibras

Retorno às atividades

AtividadeQuando
Dirigir2-3 dias
Trabalho leve7-15 dias
Exercício leve15 dias
Esforço físico30 dias

Acompanhamento

  • Cálcio + PTH 1 semana, 1 mês, 3 meses, 6 meses
  • Densidade óssea 1 ano (ver melhora osteoporose)

Resultados esperados

Taxa de cura: 95-98%

Após cirurgia bem-sucedida:

  • ✅ Cálcio normaliza em 24-48h
  • ✅ PTH normaliza imediatamente
  • ✅ Pedras nos rins param de formar (90%)
  • ✅ Densidade óssea melhora 10-20% em 1 ano
  • ✅ Fadiga e sintomas melhoram (70-80%)

Falha (2-5%)

Causas:

  • Adenoma não localizado
  • Adenoma ectópico (mediastino, timo)
  • Múltiplos adenomas (1 não encontrado)

Conduta: Reoperação com exploração completa


Perguntas frequentes


Quando procurar especialista

Procure cirurgião de cabeça e pescoço se:

  • ✅ Cálcio alto no exame de sangue (maior que 10.5)
  • ✅ PTH elevado (maior que 65 pg/mL)
  • ✅ Pedras nos rins recorrentes
  • ✅ Osteoporose precoce (menor que 50 anos)
  • ✅ Fraturas por fragilidade
  • ✅ Fadiga inexplicada + cálcio alto

Conclusão

Cirurgia de paratireoide (paratireoidectomia) é tratamento definitivo para hiperparatireoidismo primário causado por adenoma. Taxa de cura: 95-98%. Indicações: cálcio maior que 11, pedras nos rins, osteoporose, idade menor que 50 anos. Localização pré-operatória (cintilografia MIBI) é fundamental. Riscos baixos: hipocalcemia temporária 5-10%, rouquidão 1-2%. Recuperação rápida: alta 1 dia, volta trabalho 7-15 dias. Benefícios: cálcio normaliza, pedras param, ossos melhoram, sintomas resolvem.

Pontos-chave:

  • ✅ Paratireoides ≠ tireoide (glândulas diferentes)
  • ✅ Hiperparatireoidismo primário = cirurgia
  • ✅ Taxa de cura: 95-98%
  • ✅ Localização pré-op aumenta sucesso
  • ✅ Recuperação: 7-15 dias trabalho leve

Não deixe hiperparatireoidismo sem tratar - complicações (pedras, osteoporose, fraturas) são evitáveis com cirurgia.

Riscos associados à cirurgia de paratireoide

Como qualquer procedimento cirúrgico, a cirurgia de paratireoide também traz seus próprios riscos:

  • Lesão ao nervo laríngeo recorrente: o nervo laríngeo passa próximo à paratireoide e controla as cordas vocais. Lesões nesse nervo podem causar rouquidão ou alterações na voz.
  • Hipocalcemia pós-operatória: a remoção das glândulas pode causar uma redução abrupta nos níveis de cálcio, resultando em sintomas como formigamento, cãibras musculares e, em casos extremos, espasmos musculares.
  • Infecção e hematoma: infecções são possíveis após qualquer cirurgia. Hematomas, ou acúmulo de sangue sob a pele, podem ocorrer no local da incisão.
  • Cicatriz visível: apesar de o corte ser pequeno, há a possibilidade de cicatrizes visíveis no pescoço.
  • Falha na identificação de todas as glândulas anormais: em alguns casos, a cirurgia pode não identificar todas as glândulas afetadas, o que pode levar à necessidade de uma nova operação.

Preparação para a cirurgia de paratireoide

A preparação adequada pode ajudar a reduzir os riscos e otimizar a recuperação:

  • Exames pré-operatórios: exames de imagem, como ultrassonografia e cintilografia, ajudam a localizar as glândulas e planejar a cirurgia.
  • Discussão com o cirurgião: entenda os riscos, benefícios e o que esperar durante e após a cirurgia.
  • Cuidados médicos gerais: certifique-se de que outras condições de saúde estão sob controle antes da operação.

Cuidados pós-operatórios

Após a cirurgia, alguns cuidados ajudam a minimizar os riscos e acelerar a recuperação:

  • Monitoramento do cálcio: verifique regularmente os níveis de cálcio no sangue para evitar a hipocalcemia.
  • Higiene da incisão: siga as orientações médicas para limpar e cuidar da incisão.
  • Hidratação e alimentação: mantenha uma dieta balanceada e beba bastante água.
  • Descanso e limite de atividades: evite atividades físicas intensas e dê tempo para o corpo se recuperar.

Conclusão

A cirurgia de paratireoide é um procedimento que pode trazer alívio significativo para pacientes que sofrem de hiperparatireoidismo ou tumores. Embora envolva alguns riscos, o planejamento cuidadoso e os cuidados pós-operatórios podem ajudar a minimizar complicações e garantir uma recuperação tranquila. Converse sempre com seu médico para obter uma visão clara das etapas envolvidas e dos riscos da cirurgia de paratireoide.

Dr. Jônatas Catunda

Sobre o autor

Dr. Jônatas Catunda

CRM-CE 14951 • RQE 8522

Cirurgião de Cabeça e Pescoço, especialista em tireoide. Formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com residência em Cirurgia Geral no Instituto Dr. José Frota e em Cirurgia de Cabeça e Pescoço no Hospital Universitário Walter Cantídio. Mestrado e Doutorado pela UFC.

Professor de Anatomia
13 anos de formado
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