Ganho de peso? Queda de cabelo? Palpitações? Nódulo no pescoço?
Neste artigo vou explicar quais são os sintomas das doenças da tireoide e quem trata.
Tipos de doenças da tireoide
A tireoide tem dois grupos de doenças:
- Funcionais, relacionadas aos hormônios.
- Estruturais, os nódulos, bócio e câncer de tireoide.
Veja esse vídeo para entender melhor.
Doenças funcionais
As doenças funcionais são o hipotireoidismo, quando os hormônios tireoidianos estão baixos, e o hipertireoidismo, quando há hormônios demais.
O hipotireoidismo é a doença mais comum da tireoide. Por algum motivo a quantidade de hormônios cai, deixando o metabolismo mais lento e causando:
- Ganho de peso.
- Sonolência.
- Fraqueza muscular.
- Constipação.
- Queda de cabelo.
O hipertireoidismo é o contrário. A tireoide está produzindo hormônios demais. E isso causa:
- Agitação.
- Ansiedade.
- Irritabilidade.
- Insônia.
- Perda de peso.
- Tremores.
- Palpitações.
Doenças estruturais
As doenças estruturais são lesões, caroços, que aparecem na tireoide, que ainda ninguém sabe o porquê. São os nódulos, cistos, bócio e câncer de tireoide. Não é necessário muita preocupação pois apenas 5% dos nódulos são malignos, e mesmo esses têm chance de cura em 99% dos casos.
Quais os sintomas dos nódulos?
Nódulos muito pequenos, menores do que 1 cm, não causam sintoma nenhum.
Nódulos maiores podem causar sintomas compressivos, como:
- Entalo.
- Engasgos.
- Dificuldade para respirar.
Em muitos casos esses sintomas não são causados pelos nódulos, mas pela ansiedade da paciente em conjunto com outra doença muito comum, o refluxo laringofaríngeo.
Leia também:
- Nódulo na tireoide – o que você precisa saber.
- O que é tireoide?
Tireoide dói?
É raro, mas pode doer. Na tireoidite aguda, uma inflamação da glândula, ela pode ficar dolorida. Mas na maioria dos casos não haverá dor alguma. Alguns pacientes vêm com queixa de dor na garganta, o que não deve ter relação com a tireoide, pois fica localizada do lado de fora, anterior à traqueia.
Quem trata as doenças da tireoide?
Quando a tireoide não tem nenhum nódulo e está com o tamanho normal, são casos bons para serem acompanhados por um endocrinologista, pois é o especialista nas doenças hormonais.
Essas doenças são tratadas na maioria dos casos apenas com remédios para deixar o corpo com a quantidade certa de hormônios, seja repondo o hormônio quando estiver baixo ou reduzindo a função da tireoide quando o hormônio estiver elevado.
São doenças incuráveis, e geralmente é necessário tomar remédio para o resto da vida e acompanhar com exames de sangue para ir ajustando a dose do medicamento.
Quando há doença estrutural, principalmente os nódulos, o ideal é que o cirurgião de cabeça e pescoço acompanhe. O cirurgião de cabeça e pescoço é mais habituado a tratar o câncer de tireoide do que o endocrinologista, pois essa é uma das principais patologias que a minha especialidade trata, diferente do endocrinologista que também trata várias outras doenças.
Por isso sabemos quando um nódulo é preocupante ou não, se deve ser puncionado ou apenas acompanhado através do ultrassom e quando está indicada a cirurgia.
Cirurgia da tireoide
Quanto à cirurgia, quem opera a tireoide é o cirurgião de cabeça e pescoço. Apesar de ser segura, não é um procedimento simples. A cirurgia envolve identificar e preservar 2 nervos extremamente delicados e fundamentais para a qualidade da fala, o nervo laríngeo superior e o nervo laríngeo recorrente.
Também é necessário identificar e preservar as glândulas paratireoides para evitar o hipoparatireoidismo, que causa a queda dos níveis de cálcio no sangue, sendo necessário repor cálcio tomando vários comprimidos ao dia.
Seguimento após a tireoidectomia
Após a tireoidectomia total, a retirada completa da glândula tireoide, a paciente pode ser acompanhada tanto pelo endocrinologista quanto pelo cirurgião de cabeça e pescoço.
Quando o resultado da biópsia é de doença benigna, é mais prático acompanhar apenas com o endocrinologista para ir sempre ajustando a dose do hormônio tireoidiano.
Já no câncer, o ideal é que acompanhe com o cirurgião de cabeça e pescoço, pois vou analisar se há indicação de se fazer a radioiodoterapia, avaliar se há recidiva ou não, pois às vezes é necessário operar de novo quando o câncer volta.
Divergências entre médicos
O cirurgião e o endocrinologista nem sempre pensam igual nos casos de câncer. Costumo dizer que às vezes “um diz para dobrar à esquerda, o outro diz para dobrar à direita” e a paciente fica confusa sem saber para qual lado ir.
Isso acontece porque em medicina não há verdades absolutas. Nós interpretamos as evidências dos livros e artigos e adaptamos para cada caso. Por isso nem sempre há consenso entre as indicações dos próprios cirurgiões.
Por exemplo, para um mesmo caso, um indica uma tireoidectomia total, o outro uma parcial e às vezes um terceiro diz que não é nem para operar. E não há como saber qual dos 3 está certo ou errado porque ainda não existe certo ou errado. As pesquisas ainda não chegaram a uma conclusão sobre a melhor estratégia. O importante é você confiar no seu médico e fazer o que for necessário para o tratamento.





