Dr. Jônatas Catunda

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Linfonodo Reacional: O Que É, Causas e Quando Se Preocupar | 2026

Linfonodo reacional costuma ser uma resposta benigna a infecções e inflamações. Veja como diferenciar sinais tranquilos de sinais de alerta e quando vale investigar melhor.

11 de fevereiro de 20266 min de leitura
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Linfonodo Reacional: O Que É, Causas e Quando Se Preocupar | 2026

Descobriu um linfonodo no pescoço e está preocupado? A boa notícia é que a maioria absoluta dos linfonodos aumentados são reacionais - uma resposta completamente normal do sistema imunológico a infecções ou inflamações. Entenda o que são, por que aparecem e quando realmente precisam de investigação.

O que são linfonodos reacionais

Linfonodos reacionais (também chamados de linfonodos reativos ou hiperplásicos) são linfonodos que aumentam de tamanho em resposta a uma infecção, inflamação ou outro estímulo imunológico benigno. É uma reação NORMAL e esperada do sistema de defesa do corpo.

Como funcionam os linfonodos

Os linfonodos são pequenos órgãos do sistema imunológico distribuídos por todo o corpo. No pescoço, eles drenam linfa (líquido que circula entre os tecidos) da cabeça, face, boca, nariz, ouvidos e garganta.

Dentro dos linfonodos, células de defesa (linfócitos, macrófagos) identificam e combatem:

  • Vírus e bactérias
  • Células infectadas
  • Partículas estranhas

Quando há uma infecção ou inflamação nas regiões drenadas pelo linfonodo, ele "trabalha mais" - aumenta de tamanho devido à proliferação de células de defesa. Isso é SINAL DE QUE SEU SISTEMA IMUNOLÓGICO ESTÁ FUNCIONANDO.

Principais causas de linfonodo reacional

Infecções virais (causa mais comum)

São responsáveis pela maioria dos casos de linfonodos aumentados:

  • Resfriado comum e gripe: vírus respiratórios causam linfonodos cervicais anteriores aumentados
  • Faringite viral: dor de garganta viral aumenta linfonodos jugulares e submandibulares
  • Mononucleose (doença do beijo): causada pelo vírus Epstein-Barr, causa aumento bilateral de múltiplas cadeias cervicais
  • COVID-19: pode causar linfonodopatia cervical durante a infecção ou após vacinação
  • Infecções de ouvido: otites aumentam linfonodos retroauriculares

Infecções bacterianas

Menos comuns que virais, mas também causam linfonodos reativos:

  • Faringite estreptocócica: "dor de garganta bacteriana" com linfonodos cervicais dolorosos
  • Infecções dentárias: abscessos, gengivite, cáries profundas aumentam linfonodos submandibulares
  • Infecções de pele: foliculite, furúnculo, celulite no couro cabeludo ou face
  • Tuberculose ganglionar: causa mais rara, mas importante - linfonodos cervicais que crescem lentamente

Inflamações não infecciosas

  • Reação a vacinas: especialmente COVID-19, gripe - linfonodos axilares ou cervicais do lado vacinado podem aumentar
  • Doenças autoimunes: lúpus, artrite reumatoide podem causar linfonodopatia generalizada
  • Dermatites do couro cabeludo: seborreia, psoríase causam linfonodos occipitais reativos

Infecções por protozoários e fungos (raras no Brasil)

  • Toxoplasmose: pode causar linfonodopatia cervical posterior
  • Esporotricose: infecção fúngica que afeta pele e linfonodos

Características de um linfonodo reacional (benigno)

Como saber se o linfonodo é apenas reacional e não preocupante? Observe estas características:

Tamanho

  • Geralmente menor que 1,5cm
  • Pode chegar a 2cm em infecções mais intensas
  • Tende a diminuir progressivamente após semanas

Consistência

  • Macio ou elástico ao toque
  • Não é pétreo (duro como pedra)
  • Pode estar levemente endurecido no auge da infecção

Mobilidade

  • Móvel, desliza sob a pele
  • Não é fixo ou aderido a estruturas profundas

Dor

  • Geralmente doloroso ou sensível ao toque
  • A dor indica inflamação ativa, não malignidade

Evolução

  • Aparece durante ou logo após uma infecção
  • Regride em 2-6 semanas após resolução da infecção
  • Pode permanecer palpável (mas menor) por meses

Localização

  • Comum em cadeias cervicais anteriores e submandibulares
  • Pode ser único ou múltiplos bilaterais

Contexto clínico

  • História de infecção recente (gripe, faringite, resfriado)
  • Outros sintomas de infecção presentes (febre, tosse, dor de garganta)

Quando um linfonodo PRECISA ser investigado

Nem todo linfonodo aumentado é benigno. Existem sinais de alerta que indicam necessidade de investigação com ultrassom e possivelmente biópsia:

Sinais de alerta (red flags)

  • Tamanho maior que 2cm ou crescimento progressivo
  • Consistência dura ou pétrea
  • Fixo, não se move sob a pele
  • Indolor (paradoxalmente, linfonodos malignos geralmente não doem)
  • Localização supraclavicular (acima da clavícula) - sempre investigar
  • Múltiplas cadeias cervicais aumentadas sem causa aparente
  • Persistência por mais de 4-6 semanas sem regressão
  • Crescimento apesar de tratamento de infecção

Sintomas B (sintomas sistêmicos)

A presença de "sintomas B" junto com linfonodo aumentado é preocupante:

  • Febre persistente sem foco infeccioso claro (>38°C por mais de 2 semanas)
  • Sudorese noturna intensa que encharca os lençóis
  • Perda de peso não intencional (>10% do peso corporal em 6 meses)
  • Cansaço extremo desproporcional

Esses sintomas podem indicar linfoma ou outras doenças sistêmicas.

Fatores de risco

Alguns perfis têm maior risco e linfonodos aumentados devem ser investigados mais precocemente:

  • História de câncer prévio (tireoide, cabeça/pescoço, linfoma)
  • Imunossupressão (HIV, transplantados, quimioterapia)
  • Tabagismo e etilismo crônico (risco de câncer de cabeça/pescoço)

Diferença entre linfonodo reacional e maligno

CaracterísticaLinfonodo ReacionalLinfonodo Maligno
Tamanho<1,5cm>2cm geralmente
ConsistênciaMacio, elásticoDuro, pétreo
MobilidadeMóvelFixo, aderido
DorDolorosoGeralmente indolor
EvoluçãoRegride em semanasCresce progressivamente
ContextoPós-infecção recenteSem infecção aparente
Sintomas BAusentesPodem estar presentes
LocalizaçãoCervical anteriorSupraclavicular suspeito

Quanto tempo leva para um linfonodo reacional diminuir

Cronologia típica da regressão:

  • Semanas 1-2: Linfonodo pode ainda estar aumentado, especialmente se a infecção ainda está ativa
  • Semanas 2-4: Começa a diminuir gradualmente após resolução da infecção
  • Semanas 4-8: Redução significativa de tamanho, pode ainda ser palpável
  • 2-3 meses: Maioria regride completamente ou fica apenas minimamente palpável

Alguns linfonodos podem permanecer palpáveis indefinidamente após infecções de repetição, especialmente em crianças e adultos jovens. Se continuam pequenos, móveis e estáveis, não há problema.

O que fazer se descobrir um linfonodo aumentado

Situações de observação domiciliar

Você pode aguardar em casa (sem consultar médico imediatamente) se:

  • Linfonodo apareceu durante/após uma gripe ou resfriado
  • É pequeno (<1,5cm), móvel, macio e doloroso
  • Você tem outros sintomas de infecção viral
  • Não há sinais de alerta

Observar por 2-4 semanas. Se diminuir progressivamente, não precisa consulta.

Quando procurar médico

Consulte um médico se:

  • Linfonodo >2cm
  • Não regride após 4 semanas
  • Apresenta sinais de alerta (duro, fixo, indolor, supraclavicular)
  • Sintomas B presentes (febre, sudorese, perda de peso)
  • Você está imunossuprimido ou tem história de câncer

Exames que podem ser solicitados

Se houver indicação, o médico pode pedir:

  • Hemograma: avaliar infecções, anemias, alterações sugestivas de linfoma
  • Sorologias: mononucleose, toxoplasmose, HIV se suspeita clínica
  • Ultrassom cervical: avalia tamanho, formato, vascularização e características do linfonodo
  • Biópsia (PAAF ou core biopsy): se ultrassom mostrar características suspeitas

Sobre o autor

Dr. Jônatas Catunda Cirurgião de cabeça e pescoço, especialista em linfonodos cervicais. Formado pela Universidade Federal do Ceará, professor universitário, mestrado e doutorado em cirurgia pela UFC. CRM 14951 RQE 8522

Dr. Jônatas Catunda

Sobre o autor

Dr. Jônatas Catunda

CRM-CE 14951 • RQE 8522

Cirurgião de Cabeça e Pescoço, especialista em tireoide. Formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com residência em Cirurgia Geral no Instituto Dr. José Frota e em Cirurgia de Cabeça e Pescoço no Hospital Universitário Walter Cantídio. Mestrado e Doutorado pela UFC.

Professor de Anatomia
13 anos de formado
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