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Linfonodo Cervical Aumentado: Causas Benignas e Sinais de Alerta | 2026

Linfonodo cervical aumentado é comum e, na maior parte das vezes, benigno. Entenda as causas mais frequentes, o que observar no exame clínico e quando investigar com imagem.

11 de fevereiro de 20267 min de leitura
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Linfonodo Cervical Aumentado: Causas Benignas e Sinais de Alerta | 2026

Linfonodo cervical aumentado (também chamado de linfadenopatia cervical ou "íngua no pescoço") é um achado extremamente comum na prática médica. A maioria absoluta é de causa benigna - infecções virais ou bacterianas. Entenda as principais causas, como é feito o exame físico, sinais de alerta e quando investigar.

O que significa linfonodo cervical aumentado

Um linfonodo é considerado aumentado quando ultrapassa certos limites de tamanho:

Critérios de tamanho

Normal:

  • Eixo maior <1cm na maioria das regiões
  • Podem ser palpáveis em pessoas magras mesmo sem estar doente

Aumentado:

  • >1cm no eixo maior em adultos
  • Em crianças, >1,5cm (linfonodos são mais reativos)

Significativamente aumentado:

  • >2cm: sempre investigar
  • >3cm: muito suspeito

Cadeias cervicais

O pescoço possui várias cadeias de linfonodos, cada uma drena regiões específicas:

Submandibular:

  • Localização: abaixo da mandíbula
  • Drena: dentes, gengiva, lábios, língua, assoalho da boca
  • Causa comum: infecções dentárias, gengivite

Submentual:

  • Localização: abaixo do queixo
  • Drena: lábio inferior, mento, língua anterior
  • Causa comum: herpes labial, infecções orais

Jugular (cadeia cervical anterior):

  • Localização: ao longo da veia jugular
  • Drena: faringe, laringe, tireoide
  • Causa comum: faringites, tireoidites, câncer de tireoide

Cervical posterior:

  • Localização: atrás do músculo esternocleidomastoideo
  • Drena: couro cabeludo posterior
  • Causa comum: infecções do couro cabeludo, mononucleose

Supraclavicular:

  • Localização: acima da clavícula
  • Drena: tórax, abdome (linfonodo de Virchow à esquerda)
  • SEMPRE SUSPEITO - investigar com urgência

Occipital:

  • Localização: base do crânio, região posterior
  • Drena: couro cabeludo posterior
  • Causa comum: dermatite seborreica, pediculose

Retroauricular:

  • Localização: atrás da orelha
  • Drena: couro cabeludo, orelha
  • Causa comum: otites, rubéola, infecções do couro cabeludo

Principais causas de linfonodo cervical aumentado

Causas benignas (>90% dos casos)

1. Infecções virais (causa mais comum)

Infecções respiratórias superiores:

  • Resfriado comum (rinovírus, adenovírus)
  • Gripe (influenza)
  • COVID-19
  • Linfonodos: cervicais anteriores e submandibulares
  • Características: múltiplos, bilaterais, móveis, dolorosos

Mononucleose (Epstein-Barr vírus):

  • Transmissão: beijo, saliva
  • Sintomas: faringite intensa, febre, cansaço extremo
  • Linfonodos: múltiplas cadeias aumentadas (cervical anterior, posterior, submandibular)
  • Duração: 2-4 semanas, linfonodos podem persistir 8-12 semanas

Citomegalovírus (CMV):

  • Similar à mononucleose, mas mais branda
  • Mais comum em imunossuprimidos

HIV agudo:

  • Linfadenopatia generalizada (pescoço, axilas, virilha)
  • 2-4 semanas após exposição
  • Outros sintomas: febre, rash, fadiga

2. Infecções bacterianas

Faringite estreptocócica:

  • Bactéria: Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico)
  • Sintomas: dor de garganta intensa, pus nas amígdalas, febre alta
  • Linfonodos: cervicais anteriores, muito dolorosos
  • Responde a antibiótico (amoxicilina)

Infecções dentárias:

  • Cáries profundas, abscessos, pericoronarite (dente do siso)
  • Linfonodos: submandibulares ipsilaterais (mesmo lado)
  • Muito dolorosos
  • Só regride após tratamento dental

Tuberculose ganglionar (escrofulose):

  • Forma mais comum de tuberculose extrapulmonar
  • Linfonodos: cervicais posteriores ou supraclaviculares
  • Características: crescimento lento (semanas a meses), pode fistulizar (drenar pela pele)
  • Diagnóstico: biópsia + cultura
  • Tratamento: tuberculostáticos por 6 meses

Doença da arranhadura do gato (Bartonella henselae):

  • História: arranhão ou mordida de gato
  • Linfonodos: próximos ao local da lesão (cervical se arranhão no rosto/pescoço)
  • Pode ser volumoso e persistente

3. Causas inflamatórias não infecciosas

Reação pós-vacinal:

  • Vacinas: COVID-19, gripe, HPV, tétano
  • Linfonodos: axilares do lado vacinado (se vacina no braço), cervicais (se vacina aplicada em região cervical em crianças)
  • Duração: 2-6 semanas
  • Benigno, não precisa tratamento

Doenças autoimunes:

  • Lúpus eritematoso sistêmico
  • Artrite reumatoide
  • Síndrome de Sjögren
  • Linfadenopatia generalizada (várias regiões)

Tireoidite:

  • Tireoidite de Hashimoto (autoimune)
  • Tireoidite subaguda (viral)
  • Linfonodos: cervicais anteriores próximos à tireoide

4. Dermatológicas

Dermatite seborreica:

  • Couro cabeludo oleoso, descamação
  • Linfonodos occipitais e cervicais posteriores

Pediculose (piolho):

  • Linfonodos occipitais e cervicais posteriores aumentados
  • História de coceira no couro cabeludo

Eczema, psoríase do couro cabeludo:

  • Linfonodos occipitais reativos

Causas malignas (<10% dos casos em adultos)

1. Linfomas

Linfoma de Hodgkin:

  • Idade: jovens adultos (20-30 anos) ou idosos (>60 anos)
  • Linfonodos: cervicais, supraclaviculares, mediastinais
  • Características: indolores, borrachudos, crescimento progressivo
  • Sintomas B: febre, sudorese noturna, perda de peso

Linfoma não-Hodgkin:

  • Mais comum que Hodgkin
  • Idade: qualquer idade, mais comum após 60 anos
  • Linfonodos: múltiplas cadeias
  • Sintomas B menos comuns que em Hodgkin

2. Metástases de outros cânceres

Câncer de tireoide:

  • Linfonodos: cervicais laterais (cadeia jugular), compartimento central
  • Geralmente associado a nódulo tireoidiano
  • Diagnóstico: PAAF com dosagem de tireoglobulina no aspirado

Carcinomas de cabeça e pescoço:

  • Primário: cavidade oral, faringe, laringe, glândulas salivares
  • Linfonodos: cervicais ipsilaterais
  • Fatores de risco: tabagismo, etilismo, HPV

Melanoma de couro cabeludo/face:

  • História de lesão pigmentada
  • Linfonodos: cervicais posteriores ou submandibulares

Linfonodo de Virchow:

  • Linfonodo supraclavicular esquerdo aumentado
  • Sugere metástase de câncer abdominal (estômago, pâncreas, ovário)
  • Sempre investigar

Exame físico do linfonodo aumentado

O médico avalia as seguintes características:

Tamanho

  • Medido em centímetros (eixo maior)
  • <1cm: normal ou minimamente aumentado
  • 1-2cm: aumentado, investigar conforme contexto
  • >2cm: significativamente aumentado, sempre investigar

Número

  • Único: mais comum em metástases ou linfadenopatia localizada
  • Múltiplos em uma cadeia: sugere causa localizada (faringite → cervicais)
  • Múltiplas cadeias (generalizado): sugere causa sistêmica (mononucleose, linfoma, HIV)

Consistência

  • Macio/elástico: reacional, benigno
  • Firme: pode ser reacional ou limítrofe
  • Duro/pétreo: muito suspeito de malignidade
  • Borrachudo: sugere linfoma

Mobilidade

  • Móvel: linfonodo desliza sob a pele - benigno
  • Fixo/aderido: fixação a pele ou estruturas profundas - suspeito de malignidade invasiva

Dor

  • Doloroso: geralmente reacional (inflamação ativa)
  • Indolor: pode ser benigno (mononucleose) ou maligno (linfoma, metástase)
  • Paradoxo: malignidade geralmente NÃO dói

Coalescência

  • Isolados: linfonodos individualizados
  • Conglomerado: múltiplos linfonodos fundidos - suspeito (tuberculose, linfoma)

Pele sobrejacente

  • Normal: maioria dos casos
  • Avermelhada, quente: linfadenite bacteriana, abscesso
  • Fistulizada (drenando secreção): tuberculose ganglionar

Sinais de alerta que exigem investigação

Red flags maiores (investigar com urgência)

  • Localização supraclavicular - risco de malignidade 25-50%
  • Duro/pétreo - sugere metástase
  • Fixo - invasão de estruturas adjacentes
  • Crescimento progressivo - não regride com tempo
  • Maior que 2cm sem causa infecciosa clara
  • Sintomas B: febre inexplicada, sudorese noturna profusa, perda maior que 10% do peso em 6 meses

Red flags menores (investigar se persistente)

  • Tamanho 1,5-2cm
  • Múltiplas cadeias sem infecção aparente
  • Persistência maior que 4-6 semanas sem regressão
  • História de câncer prévio
  • Fatores de risco (tabagismo, etilismo, HIV)

Contextos que tranquilizam

  • História clara de infecção recente (gripe, faringite)
  • Linfonodo doloroso, móvel, macio
  • Diminuindo progressivamente
  • Criança ou adulto jovem saudável

Exames complementares

Quando solicitar

Observação clínica suficiente:

  • Linfonodo <1,5cm, contexto infeccioso claro, características benignas
  • Conduta: reavaliar em 2-4 semanas

Exames laboratoriais:

  • Hemograma: avaliar leucocitose (infecção), anemia, linfócitos atípicos (mononucleose)
  • Sorologias: Epstein-Barr, CMV, HIV, toxoplasmose conforme suspeita clínica
  • TSH e T4 livre: se suspeita de tireoidite

Ultrassom cervical:

  • Indicado quando:
    • Linfonodo >1,5cm persistente após 4 semanas
    • Características suspeitas ao exame físico
    • Múltiplas cadeias sem causa clara
  • Avalia: tamanho exato, formato, hilos preservado, vascularização

Biópsia (PAAF ou core biopsy):

  • Indicado quando:
    • Ultrassom com características suspeitas
    • Linfonodo persistente >2cm após 6 semanas sem causa
    • Sinais de alerta presentes
    • Forte suspeita de malignidade

Biópsia excisional:

  • Remoção cirúrgica do linfonodo inteiro
  • Indicado quando:
    • PAAF ou core inconclusivas
    • Forte suspeita de linfoma (precisa de arquitetura tecidual)

Conduta conforme características

Cenário 1: Linfonodo claramente reacional

  • Pequeno (<1,5cm), móvel, doloroso
  • Contexto de infecção recente
  • Conduta: observação, reavaliar em 4 semanas

Cenário 2: Linfonodo limítrofe

  • 1,5-2cm, consistência intermediária
  • Sem contexto infeccioso óbvio
  • Conduta: ultrassom cervical + exames laboratoriais

Cenário 3: Linfonodo suspeito

  • >2cm, duro, fixo, ou localização supraclavicular
  • Conduta: ultrassom + biópsia (PAAF ou core)

Cenário 4: Linfadenopatia generalizada

  • Múltiplas cadeias aumentadas (cervical, axilar, inguinal)
  • Conduta: hemograma, sorologias (Epstein-Barr, HIV, CMV), considerar biópsia

Causas por faixa etária

Crianças (0-12 anos)

Mais comuns:

  • Infecções virais respiratórias
  • Faringites
  • Otites
  • Dermatites do couro cabeludo

Características:

  • Linfonodos mais reativos (aumentam facilmente)
  • Múltiplos linfonodos palpáveis é NORMAL em crianças saudáveis
  • Malignidade é rara, mas linfoma pode ocorrer

Adolescentes e adultos jovens (13-30 anos)

Mais comuns:

  • Mononucleose
  • Faringites virais e bacterianas
  • Infecções dentárias

Atenção:

  • Linfoma de Hodgkin tem pico nesta faixa etária

Adultos (31-60 anos)

Mais comuns:

  • Infecções (ainda predominam)
  • Tireoidite
  • Metástases de câncer de tireoide ou cabeça/pescoço

Atenção:

  • Maior risco de malignidade que jovens
  • Investigar mais precocemente se sinais de alerta

Idosos (>60 anos)

Mais comuns:

  • Infecções (ainda frequentes)
  • Linfoma não-Hodgkin
  • Metástases de carcinomas

Atenção:

  • Risco de malignidade é mais alto (10-15%)
  • Limiar mais baixo para investigação

Sobre o autor

Dr. Jônatas Catunda Cirurgião de cabeça e pescoço, especialista em linfonodos cervicais. Formado pela Universidade Federal do Ceará, professor universitário, mestrado e doutorado em cirurgia pela UFC. CRM 14951 RQE 8522

Dr. Jônatas Catunda

Sobre o autor

Dr. Jônatas Catunda

CRM-CE 14951 • RQE 8522

Cirurgião de Cabeça e Pescoço, especialista em tireoide. Formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com residência em Cirurgia Geral no Instituto Dr. José Frota e em Cirurgia de Cabeça e Pescoço no Hospital Universitário Walter Cantídio. Mestrado e Doutorado pela UFC.

Professor de Anatomia
13 anos de formado
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