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Biópsia de Linfonodo: Tipos, Quando Fazer e Como é Feita | 2026

A biópsia de linfonodo pode ser feita por PAAF, core biopsy ou cirurgia, conforme o caso. Veja quando cada método é indicado, como é o preparo e o que esperar do resultado.

Dr. Jônatas Catunda

Dr. Jônatas Catunda· Cirurgião de Cabeça e Pescoço

CRM-CE 14951 · RQE 8522 · Mestre e Doutor pela UFC

11 de fevereiro de 2026 · 8 min de leitura

Biópsia de Linfonodo: Tipos, Quando Fazer e Como é Feita | 2026

Quando ultrassom mostra linfonodo com características suspeitas, a biópsia é o único exame que pode confirmar se é benigno ou maligno. Existem três tipos principais de biópsia de linfonodo: PAAF (punção aspirativa), core biopsy (biópsia por agulha grossa) e biópsia excisional (cirúrgica). Entenda quando cada uma é indicada, como é feita e o que esperar.

Quando biópsia de linfonodo é necessária

Nem todo linfonodo aumentado precisa de biópsia. A indicação depende das características clínicas e do ultrassom:

Indicações de biópsia

Obrigatórias (alta suspeita):

  • Linfonodo supraclavicular (sempre investigar)
  • Características ultrassonográficas suspeitas (formato redondo, hilos ausente, vascularização periférica)
  • Crescimento progressivo apesar de tratamento
  • História de câncer prévio (tireoide, cabeça/pescoço, linfoma) com linfonodo novo

Fortemente recomendadas:

  • Linfonodo >2cm persistente após 4-6 semanas sem causa infecciosa clara
  • Linfonodo duro, fixo ou indolor ao exame físico
  • Múltiplas cadeias cervicais aumentadas sem infecção aparente
  • Sintomas B (febre inexplicada, sudorese noturna, perda de peso)

Considerar (caso a caso):

  • Linfonodo 1,5-2cm que não regride após 6-8 semanas
  • Paciente imunossuprimido (HIV, transplantado, quimioterapia)
  • Fatores de risco para malignidade (tabagismo, etilismo crônico)

Quando biópsia NÃO é necessária

  • Linfonodo <1,5cm em contexto de infecção viral recente
  • Linfonodo claramente reacional (móvel, macio, doloroso) diminuindo progressivamente
  • Criança com múltiplos linfonodos pequenos (normal)
  • Linfonodo pós-vacinação recente (<4 semanas)

Tipos de biópsia de linfonodo

1. PAAF (Punção Aspirativa por Agulha Fina)

A PAAF é o método menos invasivo. Usa agulha fina (calibre 23-25G, mesma espessura de agulha de coleta de sangue) para aspirar células do linfonodo.

Quando usar PAAF

Primeira escolha para:

  • Suspeita de metástase de câncer de tireoide (com dosagem de tireoglobulina no aspirado)
  • Suspeita de metástase de carcinoma de cabeça/pescoço
  • Investigação inicial de linfonodo suspeito antes de métodos mais invasivos
  • Linfonodos profundos onde core biopsy seria arriscada

Limitações da PAAF:

  • Fornece apenas células soltas (citologia), não arquitetura tecidual
  • Pode ser insuficiente para diagnóstico de linfomas
  • Taxa de material insuficiente: 10-20%
  • Pode dar resultado "indeterminado" ou "atípico"

Como é feita a PAAF de linfonodo

Preparo:

  • Não precisa jejum
  • Suspender anticoagulantes (AAS, clopidogrel) 5-7 dias antes se médico liberar
  • Não precisa anestesia (pode usar creme anestésico tópico se paciente ansioso)

Procedimento:

  1. Paciente deitado ou sentado
  2. Antissepsia da pele com álcool
  3. Palpação do linfonodo para localização
  4. Agulha fina inserida no linfonodo (guiada por palpação ou ultrassom)
  5. Aspiração com seringa enquanto movimenta agulha dentro do linfonodo
  6. Material aspirado é espalhado em lâminas
  7. Curativo simples, sem pontos

Duração: 5-10 minutos

Dor: mínima, comparável a coleta de sangue

Pós-procedimento:

  • Pode ir embora imediatamente
  • Curativo por 24h
  • Dor leve, controlada com dipirona se necessário
  • Retorno às atividades normais no mesmo dia

Resultados da PAAF

Possíveis laudos:

  1. Material insuficiente (10-20%):

    • Não foi possível obter células suficientes
    • Necessita repetir PAAF ou fazer core biopsy
  2. Linfonodo reacional/hiperplásico:

    • Benigno
    • Células inflamatórias sem atipias
  3. Suspeito para linfoma:

    • Necessita core biopsy ou biópsia excisional para classificar
  4. Metástase de carcinoma:

    • Especifica tipo (tireoidiano, escamoso, adenocarcinoma)
    • Se tireoide: dosar tireoglobulina no aspirado
  5. Indeterminado/atípico:

    • Alterações presentes mas não conclusivas
    • Necessita método mais invasivo

Tempo de resultado: 5-7 dias (citologia)

Em casos de metástase de tireoide:

  • Tireoglobulina no aspirado >10 ng/mL: confirma metástase
  • Alta especificidade e sensibilidade

2. Core Biopsy (Biópsia por Fragmento)

Core biopsy usa agulha mais grossa (calibre 14-18G, tipo caneta) para retirar cilindros de tecido do linfonodo, preservando arquitetura tecidual.

Quando usar core biopsy

Primeira escolha para:

  • Suspeita de linfoma (permite imunohistoquímica completa e subtipagem)
  • PAAF inconclusiva ou insuficiente
  • Necessidade de estudos moleculares (mutações, rearranjos cromossômicos)
  • Linfonodo profundo ou próximo a estruturas nobres (guia por ultrassom)

Vantagens sobre PAAF:

  • Fornece fragmento com arquitetura preservada
  • Permite imunohistoquímica extensa (painéis de anticorpos)
  • Acurácia diagnóstica 85-90% em linfomas
  • Material quase sempre suficiente

Como é feita a core biopsy

Preparo:

  • Jejum de 4 horas (se usar sedação leve)
  • Suspender anticoagulantes conforme orientação médica
  • Exames: coagulograma recente

Procedimento:

  1. Paciente deitado
  2. Anestesia local (lidocaína 2%)
  3. Pequeno corte na pele (2-3mm) com bisturi
  4. Ultrassom para guiar agulha até o linfonodo
  5. Disparo da agulha de core biopsy (faz barulho de "click")
  6. Retirada de 2-4 fragmentos cilíndricos
  7. Compressão local por 5-10 minutos
  8. Curativo compressivo, sem pontos (ou 1 ponto se incisão maior)

Duração: 20-30 minutos

Dor: anestesia local controla bem. Desconforto durante compressão

Local: consultório com ultrassom ou centro cirúrgico ambulatorial

Pós-procedimento:

  • Observação de 30-60 minutos
  • Curativo compressivo por 24-48h
  • Evitar esforços físicos por 48h
  • Dor leve (dipirona ou paracetamol)
  • Retorno ao trabalho no dia seguinte

Complicações raras:

  • Hematoma (3-5%): resolve espontaneamente
  • Sangramento (necessita compressão adicional)
  • Infecção (<1%)
  • Lesão de estruturas próximas (nervos, vasos) - rara com ultrassom

Resultados da core biopsy

Possíveis laudos:

  1. Linfonodo reacional/hiperplásico:

    • Hiperplasia folicular (viral, inflamatório)
    • Benigno
  2. Linfoma - com subtipagem completa:

    • Hodgkin clássico (subtipos)
    • Não-Hodgkin (dezenas de subtipos: difuso grandes células B, folicular, MALT, etc.)
    • Imunohistoquímica especifica tipo exato
    • Permite tratamento dirigido
  3. Metástase de carcinoma:

    • Confirma origem (tireoide, cabeça/pescoço, pulmão, mama, etc.)
  4. Tuberculose ganglionar:

    • Granulomas caseosos
    • Solicita cultura para micobactéria
  5. Material insuficiente (raro, <10%):

    • Necessita biópsia excisional

Tempo de resultado:

  • Histopatologia inicial: 7-10 dias
  • Imunohistoquímica completa: 10-14 dias
  • Estudos moleculares: 14-21 dias

3. Biópsia Excisional (Cirúrgica)

Remoção cirúrgica completa do linfonodo para análise. É o "padrão-ouro" para diagnóstico, especialmente de linfomas.

Quando usar biópsia excisional

Indicações:

  • Core biopsy inconclusiva ou insuficiente
  • Forte suspeita de linfoma com necessidade de material abundante
  • Linfonodo muito profundo ou pequeno (difícil para core)
  • Necessidade de estudos moleculares extensos (citogenética, biologia molecular)
  • Tuberculose ganglionar (para cultura e PCR)

Desvantagens:

  • Mais invasivo
  • Requer centro cirúrgico
  • Deixa cicatriz (pequena, mas visível)
  • Recuperação de 5-7 dias

Como é feita a biópsia excisional

Preparo:

  • Jejum de 8 horas
  • Exames pré-operatórios: hemograma, coagulograma
  • Suspender anticoagulantes conforme anestesista

Procedimento:

  1. Anestesia local + sedação OU anestesia geral (depende da profundidade)
  2. Incisão na pele sobre o linfonodo (3-5cm)
  3. Dissecção cuidadosa, preservando nervos e vasos
  4. Remoção completa do linfonodo
  5. Hemostasia (controle de sangramento)
  6. Fechamento em camadas com pontos absorvíveis internos
  7. Sutura da pele (pontos simples ou intradérmico)
  8. Curativo compressivo

Duração: 30-60 minutos

Internação:

  • Maioria tem alta no mesmo dia (procedimento ambulatorial)
  • Alguns casos: 24h de observação

Pós-procedimento:

  • Dor moderada (controlada com analgésicos)
  • Curativo por 48h
  • Evitar esforços físicos por 7 dias
  • Retirada de pontos em 7-10 dias (se não for absorvível)
  • Retorno ao trabalho em 3-5 dias

Complicações:

  • Hematoma (5%)
  • Seroma (acúmulo de líquido): pode necessitar drenagem
  • Infecção (<2%)
  • Lesão de nervo (rouquidão, dormência): <1% em mãos experientes
  • Cicatriz visível

Resultados da biópsia excisional

Fornece diagnóstico definitivo em quase 100% dos casos:

  • Histopatologia completa
  • Imunohistoquímica extensa (painéis com 20-30 marcadores)
  • Citogenética: alterações cromossômicas (translocações, deleções)
  • Biologia molecular: mutações específicas, rearranjos gênicos
  • Cultura: para tuberculose, fungos

Tempo de resultado:

  • Histopatologia inicial: 7-10 dias
  • Imunohistoquímica: 10-14 dias
  • Citogenética e biologia molecular: 14-21 dias

Comparação entre os métodos

CaracterísticaPAAFCore BiopsyExcisional
InvasividadeMínimaModeradaAlta
AnestesiaNão / tópicaLocalLocal ou geral
Duração5-10 min20-30 min30-60 min
MaterialCélulas soltasFragmentosLinfonodo inteiro
Acurácia linfoma50-60%85-90%~100%
Acurácia metástase80-90%90-95%~100%
ImunohistoquímicaLimitadaExtensaCompleta
CicatrizNãoMínimaSim (pequena)
RecuperaçãoImediata1-2 dias5-7 dias
Custo$$$$$$

Algoritmo de escolha

Suspeita de metástase de câncer conhecido

  • 1ª escolha: PAAF (com tireoglobulina se tireoide)
  • Se PAAF inconclusiva: core biopsy

Suspeita de linfoma

  • 1ª escolha: core biopsy
  • Se core inconclusiva: biópsia excisional

Linfonodo profundo ou próximo a estruturas nobres

  • 1ª escolha: core biopsy guiada por ultrassom
  • Alternativa: biópsia excisional em centro cirúrgico

Primeira investigação de linfonodo suspeito

  • 1ª escolha: PAAF (menos invasiva)
  • Se resultado sugestivo de linfoma: complementar com core ou excisional

Tuberculose ganglionar suspeita

  • 1ª escolha: core biopsy (permite histopatologia + cultura)
  • Alternativa: biópsia excisional (se core insuficiente)

Preparo para biópsia de linfonodo

Medicações para suspender

Anticoagulantes:

  • AAS (Aspirina): suspender 7 dias antes
  • Clopidogrel (Plavix): 7 dias antes
  • Varfarina: conforme INR, geralmente 5 dias antes
  • Anticoagulantes orais diretos (rivaroxabana, apixabana): 48h antes

Importante: NUNCA suspenda anticoagulantes sem orientação médica. Risco cardiovascular pode superar risco de sangramento.

Exames pré-procedimento

  • PAAF: geralmente não precisa
  • Core biopsy: coagulograma se usa anticoagulantes
  • Excisional: hemograma + coagulograma obrigatórios

No dia do procedimento

  • PAAF: não precisa jejum, pode comer/beber normalmente
  • Core biopsy: jejum de 4h se sedação leve
  • Excisional: jejum de 8h

Cuidados pós-biópsia

Primeiras 24 horas

  • Manter curativo limpo e seco
  • Não molhar (evitar banho na região)
  • Compressas frias se hematoma
  • Repouso relativo (evitar exercícios intensos)

24-48 horas

  • Pode tomar banho (proteger curativo)
  • Dor controlada com analgésicos comuns
  • Observar sinais de infecção (vermelhidão crescente, calor, secreção)

Após 48 horas

  • PAAF e core: retorno às atividades normais
  • Excisional: evitar esforços por 7 dias

Retorno ao médico

  • Retirada de pontos: 7-10 dias (excisional)
  • Consulta de resultado: 10-14 dias após procedimento

Complicações possíveis

PAAF

  • Muito segura, complicações raríssimas
  • Pequeno hematoma local (resolve sozinho)
  • Dor mínima

Core biopsy

  • Hematoma (3-5%): observação, compressas frias
  • Sangramento persistente (raro): compressão adicional
  • Infecção (<1%): antibiótico
  • Lesão de nervo (raríssimo com ultrassom)

Biópsia excisional

  • Hematoma (5%)
  • Seroma (acúmulo de líquido): pode drenar em consultório
  • Infecção (2%): antibiótico, raramente precisa drenagem
  • Lesão de nervo:
    • Nervo laríngeo: rouquidão (<1%)
    • Nervo facial: fraqueza facial (<1%)
    • Nervo acessório: dificuldade elevar ombro (raro)
  • Cicatriz hipertrófica (pode melhorar com tratamento)

Após resultado da biópsia

Linfonodo reacional/benigno

  • Não precisa tratamento específico
  • Acompanhamento clínico se linfonodo persiste

Tuberculose ganglionar

  • Tratamento: esquema tuberculostático por 6 meses
  • Acompanhamento com infectologista

Metástase de câncer

  • Estadiamento completo (PET-CT, outros exames)
  • Tratamento conforme tumor primário:
    • Tireoide: cirurgia + iodo radioativo
    • Cabeça/pescoço: cirurgia e/ou radioterapia
    • Outros: conforme protocolo oncológico

Linfoma

  • Estadiamento (PET-CT, biópsia de medula óssea)
  • Classificação completa (tipo, subtipo, estágio)
  • Tratamento:
    • Quimioterapia (esquemas específicos por tipo)
    • Imunoterapia (rituximabe em linfomas B)
    • Radioterapia (casos selecionados)
  • Acompanhamento com hematologista/oncologista

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre PAAF e core biopsy?
PAAF usa agulha fina e coleta apenas células. Core biopsy usa agulha grossa e retira fragmento de tecido com arquitetura preservada. Core é melhor para linfomas.
Biópsia de linfonodo dói?
PAAF dói pouco (como coleta de sangue). Core biopsy usa anestesia local, dor mínima. Biópsia excisional usa sedação/anestesia, dor moderada pós-operatória controlada com analgésicos.
Quanto tempo para ter resultado da biópsia?
PAAF: 5-7 dias. Core biopsy: 7-14 dias (histopatologia + imunohistoquímica). Biópsia excisional: 10-21 dias (inclui estudos moleculares).
Quando fazer biópsia excisional ao invés de PAAF?
Quando PAAF ou core foram inconclusivas, forte suspeita de linfoma que precisa subtipagem detalhada, ou linfonodo profundo que não permite acesso por agulha.

Tópicos

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Dr. Jônatas Catunda

Sobre o autor

Dr. Jônatas Catunda

CRM-CE 14951 • RQE 8522

Cirurgião de Cabeça e Pescoço, especialista em tireoide. Formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com residência em Cirurgia Geral no Instituto Dr. José Frota e em Cirurgia de Cabeça e Pescoço no Hospital Universitário Walter Cantídio. Mestrado e Doutorado pela UFC.

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