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Dr. Jônatas Catunda

Estadiamento do Carcinoma Anaplásico de Tireoide

Carcinoma Anaplásico (Indiferenciado) de Tireoide

O carcinoma anaplásico, também chamado de indiferenciado, é o tipo mais raro e mais agressivo de câncer de tireoide. Todos os casos são classificados como estádio IV por definição do próprio sistema — a subdivisão em IVA, IVB e IVC descreve a extensão da doença.

Importante: são tabelas de referência baseadas em diretrizes internacionais. O estadiamento e a conduta devem ser sempre individualizados pelo médico assistente, com base no quadro completo do paciente.

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TNM 8ª edição

Grupos de estadiamento

Carcinoma anaplásico — todas as idades

Todos os casos são estádio IV, subdivididos em IVA, IVB e IVC

EstádioTNM
IVAT1, T2, T3aN0, NXM0
IVBT1, T2, T3aN1M0
IVBT3b, T4a, T4bQualquer NM0
IVCQualquer TQualquer NM1

Nota: Todo carcinoma anaplásico é, por definição, estádio IV. A 8ª edição passou a subdividir esse estádio conforme extensão do tumor: até a 7ª edição, qualquer anaplásico era automaticamente classificado como T4, sem essa distinção prognóstica.

Como se chega a esse estádio

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AJCC 2017

Categorias T, N e M

O que significa cada sigla das tabelas acima — tamanho e invasão do tumor, linfonodos e metástase

Tumor Primário (T)

CategoriaDefinição
TXTumor primário não pode ser avaliado
T0Sem evidência de tumor primário
T1Tumor ≤ 2 cm, limitado à tireoide
T1aTumor ≤ 1 cm, limitado à tireoide
T1bTumor > 1 cm e ≤ 2 cm, limitado à tireoide
T2Tumor > 2 cm e ≤ 4 cm, limitado à tireoide
T3Tumor > 4 cm limitado à tireoide, OU tumor de qualquer tamanho com extensão extratiroidiana grosseira que invade apenas os músculos pré-tireoidianos
T3aTumor > 4 cm, limitado à tireoide
T3bTumor de qualquer tamanho com extensão extratiroidiana grosseira que invade apenas os músculos pré-tireoidianos (esterno-hióideo, esternotireóideo, tíreo-hióideo ou omo-hióideo)
T4Extensão extratiroidiana grosseira além dos músculos pré-tireoidianos
T4aInvasão de tecido subcutâneo, laringe, traqueia, esôfago ou nervo laríngeo recorrente
T4bInvasão de fáscia pré-vertebral, artéria carótida ou vasos mediastinais

Linfonodos Regionais (N)

CategoriaDefinição
NXLinfonodos regionais não podem ser avaliados
N0Sem metástases em linfonodos regionais
N1Metástases em linfonodos regionais
N1aMetástases em linfonodos do compartimento central (níveis VI e VII — pré-traqueais, paratraqueais, pré-laríngeos/Delphian e mediastinais superiores)
N1bMetástases em linfonodos cervicais laterais (níveis I, II, III, IV ou V) ou retrofaríngeos

Metástases à Distância (M)

CategoriaDefinição
M0Sem metástases à distância
M1Presença de metástases à distância

As categorias T, N e M são as mesmas para os três tipos histológicos na 8ª edição. O que muda de um tipo para outro é a forma de combiná-las em estádios, nas tabelas do início desta página.

ATA 2021

Conduta no carcinoma anaplásico pela ATA

Como a ressecabilidade e o perfil molecular organizam o tratamento dentro do estádio IV

Como todo carcinoma anaplásico é estádio IV, o estádio sozinho não separa condutas — quem faz esse papel é a subdivisão IVA, IVB e IVC somada ao perfil molecular do tumor. A ATA trata o anaplásico como urgência: o intervalo entre a suspeita e o início do tratamento é, ele próprio, um fator prognóstico.

Conduta por extensão da doença

  • IVA — doença limitada à tireoide: Situação mais favorável dentro do estádio IV. Cirurgia com intenção de ressecção completa, seguida de radioterapia com ou sem quimioterapia adjuvante.
  • IVB ressecável: Extensão para estruturas do pescoço ou linfonodos, ainda com possibilidade de ressecção. Cirurgia seguida de tratamento adjuvante, sem mutilação que comprometa a qualidade de vida.
  • IVB irressecável: Terapia sistêmica dirigida ao alvo molecular quando existe alvo, radioterapia e reavaliação da ressecabilidade — em parte dos casos o tumor volta a ser operável depois do tratamento inicial.
  • IVC — metástase à distância: Tratamento sistêmico e cuidados de suporte, com discussão explícita de metas de cuidado. A cirurgia entra apenas para controle local, como proteção da via aérea.

Testagem molecular imediata

A ATA recomenda que o resultado saia em dias, não em semanas

  • BRAF V600E: É a alteração mais acionável: a combinação de dabrafenibe com trametinibe mudou o manejo dos casos positivos e pode viabilizar cirurgia depois de reduzir o tumor.
  • Fusões de NTRK, RET e ALK: Raras, mas com terapia dirigida disponível — justificam painel molecular amplo, e não apenas a pesquisa do BRAF.
  • PD-L1 e carga mutacional: Orientam o uso de imunoterapia, isolada ou associada, em casos selecionados.

Decisões que correm em paralelo

  • Via aérea: A traqueostomia não é rotina: a indicação é individualizada e pesada contra o desconforto que impõe, sempre discutida com o paciente antes de virar urgência.
  • Centro especializado: Encaminhamento imediato a serviço com experiência em anaplásico e equipe multidisciplinar, incluindo acesso a ensaios clínicos.
  • Metas de cuidado: A conversa sobre objetivos do tratamento e diretivas antecipadas entra no início, junto com o tratamento ativo — não no fim.

Nota: As diretrizes de 2021 marcam a mudança do anaplásico de doença sem opções para doença com tratamento dirigido em parte dos casos. O que decide não é o estádio isolado, e sim ressecabilidade, perfil molecular e condição clínica do paciente.

FAQ

Perguntas frequentes sobre o anaplásico

Por que todo carcinoma anaplásico é estádio IV?

Porque a classificação reflete o comportamento do tipo histológico, não a medida individual do caso. O anaplásico tem evolução rápida e prognóstico reservado mesmo quando descoberto ainda limitado à tireoide, e o sistema TNM reconhece isso classificando todos os casos como estádio IV, subdividido conforme a extensão.

O que mudou na 8ª edição para o anaplásico?

Ele passou a usar as mesmas categorias T do carcinoma diferenciado. Até a 7ª edição, qualquer carcinoma anaplásico era automaticamente classificado como T4, sem distinguir um tumor confinado à tireoide de outro que invade estruturas do pescoço. A mudança permite separar situações com prognóstico bastante diferente dentro do mesmo estádio IV.

Qual a diferença entre IVA, IVB e IVC?

IVA corresponde ao tumor ainda limitado à tireoide. IVB indica extensão para estruturas vizinhas do pescoço ou acometimento de linfonodos. IVC indica metástase à distância. Essa separação orienta o que é possível oferecer em cada situação — da abordagem cirúrgica ao tratamento sistêmico.

O tratamento depende de exames adicionais?

Sim, e a pesquisa molecular tornou-se parte do cuidado. A identificação de alterações como a mutação BRAF V600E abriu caminho para terapias-alvo que mudaram o manejo de parte dos casos. Por isso, diante de suspeita de carcinoma anaplásico, o diagnóstico rápido e a caracterização molecular são prioridade.

Outros tipos

Cada tipo tem um sistema de estadiamento próprio

Quer entender o seu estadiamento?

O estádio sai do laudo da cirurgia somado aos exames de imagem. Traga os dois para uma leitura do seu caso.