Laringoscopia pré-operatória é obrigatória antes de tireoidectomia. Objetivo: detectar paralisia de prega vocal preexistente (0-3.5% em doenças benignas, 8% em câncer). Se paciente já tem paralisia em 1 lado e o cirurgião não sabe, operar o outro lado pode causar paralisia bilateral (não consegue respirar) e necessitar traqueostomia de urgência. Exame rápido (2 minutos), pode incomodar mas não dói.
Inervação da laringe
De cada lado da tireoide passam 2 nervos muito importantes para a fala, o nervo laríngeo recorrente e o nervo laríngeo superior, que inervam os músculos das pregas vocais. Esses nervos devem ser visualizados, dissecados e preservados na tireoidectomia. Na imensa maioria dos casos esses nervos são preservados e não haverá qualquer alteração da voz.
O mais importante dos 2 nervos é o laríngeo recorrente, que inerva todos os músculos da prega vocal com exceção do músculo cricotireóideo, o único músculo que o nervo laríngeo superior inerva. Este músculo é um tensor da prega vocal e serve para emitir sons mais agudos e mais altos. A lesão do nervo laríngeo superior é prejudicial em pessoas que trabalham muito com a voz, como cantores.
Tipos de lesão
Para soltar e retirar a tireoide é preciso dissecar e preservar os nervos, porém isso pode deixá-los sem funcionar nos primeiros dias após a cirurgia, o que chamamos de paresia, causando alteração na voz e rouquidão transitória. Quanto maior o nódulo ou bócio, mais manipulado será o nervo, havendo maior chance de paresia de prega vocal transitória.
Na paresia de prega vocal unilateral, a paciente pode ficar com rouquidão nos primeiros dias. Se a paresia for bilateral, o problema é bem maior. O risco é muito baixo, mas existe a possibilidade dos 2 nervos laríngeos recorrentes, um de cada lado, ficarem sem funcionar logo após a retirada do tubo orotraqueal da anestesia geral. Como as pregas vocais não se movem, a paciente não consegue respirar e pode até morrer sufocada. O cirurgião deve estar a postos para fazer a traqueostomia de urgência.
Após duas semanas, a maioria dos casos de paresia de prega vocal já se recuperou. Caso não haja melhora, pode ser que o nervo foi lesado e irá evoluir para a paralisia de prega vocal, que é definitiva. Nesse caso será necessário repetir a laringoscopia. Menos de 1% das tireoidectomias evolui com paralisia unilateral de prega vocal definitiva, e mesmo nesses casos a rouquidão tem tratamento e reabilitação com fonoterapia.
Isso é importante porque alguns pacientes, mesmo com a voz normal, podem ter paralisia unilateral de prega vocal sem saber disso. Estudos mostram índices de 0% a 3,5% de paralisia de prega vocal no pré-operatório de doenças benignas e de 8% no câncer da tireoide.
A consequência disso é que essa disfunção pré-operatória do nervo laríngeo recorrente, se não for diagnosticada, aumenta o risco de ter uma paralisia bilateral de prega vocal e necessitar de traqueostomia. Por isso todos os casos devem fazer a laringoscopia pré-operatória, tanto na tireoidectomia parcial quanto na total.
Como é o exame de laringoscopia?
Atualmente utilizamos 2 tipos de aparelho de laringoscopia: o nasofibrolaringoscópio e o laringoscópio rígido.
Na nasofibrolaringoscopia a câmera flexível entra pelo nariz, avalia a cavidade nasal, a nasofaringe e então avalia a laringe. A vantagem é que incomoda menos, porém a qualidade da imagem é menor pois o aparelho é mais fino.
No laringoscópio rígido, o aparelho entra pela boca, avalia a orofaringe e a laringe. Não é um exame que dói, mas pode causar vontade de vomitar que varia de paciente para paciente. A maioria não sente nada, alguns não conseguem completar o exame de tanta náusea. É necessário sentar bem ereto, manter a ponta da língua bem para fora da boca presa pela mão do examinador, respirar apenas pela boca e dizer as vogais “É” ou “Í” ou simplesmente respirar. Por mais que incomode, é um exame bem rápido.
Além da tireoide, quem precisa fazer a laringoscopia?
Pacientes que apresentarem os seguintes sintomas com duração maior que duas semanas:
- Rouquidão persistente: principal indicação
- Tosse persistente ou tosse com sangue: pode indicar lesão laríngea
- Dificuldade para engolir: investigar compressão
- Dor de ouvido persistente: dor reflexa da laringe
- Massa ou tumor na garganta: avaliar extensão
Perguntas frequentes
Quando procurar um especialista
Procure cirurgião de cabeça e pescoço se:
- ✅ Indicação de tireoidectomia e precisa laringoscopia
- ✅ Rouquidão persistente por mais de 2 semanas
- ✅ Rouquidão após cirurgia de tireoide que não melhorou
- ✅ Dificuldade para respirar ou falar
- ✅ Tosse persistente ou tosse com sangue
Conclusão
Laringoscopia pré-operatória é exame obrigatório e essencial antes de qualquer tireoidectomia. Detecta paralisia de prega vocal preexistente e previne complicações graves como traqueostomia. O exame é rápido (2-3 minutos), pode incomodar mas não dói, e a segurança que traz vale o pequeno incômodo.
Pontos-chave:
- ✅ Obrigatória antes de TODA tireoidectomia (parcial ou total)
- ✅ Detecta paralisia preexistente (0-8% dos casos)
- ✅ Previne traqueostomia de urgência
- ✅ Exame rápido (2-3 minutos), não dói
- ✅ Repetir se rouquidão após cirurgia
Não hesite em fazer a laringoscopia quando solicitada - é um exame de segurança fundamental para sua cirurgia.





