Laringoscopia pré-operatória é obrigatória antes de tireoidectomia. Objetivo: detectar paralisia de prega vocal preexistente (0-3.5% em doenças benignas, 8% em câncer). Se paciente já tem paralisia em 1 lado e o cirurgião não sabe, operar o outro lado pode causar paralisia bilateral (não consegue respirar) e necessitar traqueostomia de urgência. Exame rápido (2 minutos), pode incomodar mas não dói.
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Paralisia de prega vocal após a tireoidectomia: o que a laringoscopia revela
Dr. Jônatas Catunda explica em 4:19 · ver a página do vídeo
Inervação da laringe
De cada lado da tireoide passam 2 nervos muito importantes para a fala, o nervo laríngeo recorrente e o nervo laríngeo superior, que inervam os músculos das pregas vocais. Esses nervos devem ser visualizados, dissecados e preservados na tireoidectomia. Na imensa maioria dos casos esses nervos são preservados e não haverá qualquer alteração da voz.
O mais importante dos 2 nervos é o laríngeo recorrente, que inerva todos os músculos da prega vocal com exceção do músculo cricotireóideo, o único músculo que o nervo laríngeo superior inerva. Este músculo é um tensor da prega vocal e serve para emitir sons mais agudos e mais altos. A lesão do nervo laríngeo superior é prejudicial em pessoas que trabalham muito com a voz, como cantores.
Tipos de lesão
Para soltar e retirar a tireoide é preciso dissecar e preservar os nervos, porém isso pode deixá-los sem funcionar nos primeiros dias após a cirurgia, o que chamamos de paresia, causando alteração na voz e rouquidão transitória. Quanto maior o nódulo ou bócio, mais manipulado será o nervo, havendo maior chance de paresia de prega vocal transitória.
Na paresia de prega vocal unilateral, a paciente pode ficar com rouquidão nos primeiros dias. Se a paresia for bilateral, o problema é bem maior. O risco é muito baixo, mas existe a possibilidade dos 2 nervos laríngeos recorrentes, um de cada lado, ficarem sem funcionar logo após a retirada do tubo orotraqueal da anestesia geral. Como as pregas vocais não se movem, a paciente não consegue respirar e pode até morrer sufocada. O cirurgião deve estar a postos para fazer a traqueostomia de urgência.
Após duas semanas, a maioria dos casos de paresia de prega vocal já se recuperou. Caso não haja melhora, pode ser que o nervo foi lesado e irá evoluir para a paralisia de prega vocal, que é definitiva. Nesse caso será necessário repetir a laringoscopia. Menos de 1% das tireoidectomias evolui com paralisia unilateral de prega vocal definitiva, e mesmo nesses casos a rouquidão tem tratamento e reabilitação com fonoterapia.
Isso é importante porque alguns pacientes, mesmo com a voz normal, podem ter paralisia unilateral de prega vocal sem saber disso. Estudos mostram índices de 0% a 3,5% de paralisia de prega vocal no pré-operatório de doenças benignas e de 8% no câncer da tireoide.
A consequência disso é que essa disfunção pré-operatória do nervo laríngeo recorrente, se não for diagnosticada, aumenta o risco de ter uma paralisia bilateral de prega vocal e necessitar de traqueostomia. Por isso todos os casos devem fazer a laringoscopia pré-operatória, tanto na tireoidectomia parcial quanto na total.
Como é o exame de laringoscopia?
Atualmente utilizamos 2 tipos de aparelho de laringoscopia: o nasofibrolaringoscópio e o laringoscópio rígido.
Na nasofibrolaringoscopia a câmera flexível entra pelo nariz, avalia a cavidade nasal, a nasofaringe e então avalia a laringe. A vantagem é que incomoda menos, porém a qualidade da imagem é menor pois o aparelho é mais fino.
No laringoscópio rígido, o aparelho entra pela boca, avalia a orofaringe e a laringe. Não é um exame que dói, mas pode causar vontade de vomitar que varia de paciente para paciente. A maioria não sente nada, alguns não conseguem completar o exame de tanta náusea. É necessário sentar bem ereto, manter a ponta da língua bem para fora da boca presa pela mão do examinador, respirar apenas pela boca e dizer as vogais “É” ou “Í” ou simplesmente respirar. Por mais que incomode, é um exame bem rápido.
Além da tireoide, quem precisa fazer a laringoscopia?
Pacientes que apresentarem os seguintes sintomas com duração maior que duas semanas:
- Rouquidão persistente: principal indicação
- Tosse persistente ou tosse com sangue: pode indicar lesão laríngea
- Dificuldade para engolir: investigar compressão
- Dor de ouvido persistente: dor reflexa da laringe
- Massa ou tumor na garganta: avaliar extensão
Perguntas frequentes
Perguntas Frequentes
Toda tireoidectomia precisa de laringoscopia antes?
Laringoscopia dói?
Se minha voz está normal, por que preciso fazer?
O que acontece se não fizer laringoscopia antes?
Depois da cirurgia preciso repetir laringoscopia?
Posso recusar fazer laringoscopia?
Laringoscopia detecta câncer de laringe?
Preciso fazer laringoscopia na reoperação (totalização)?
Quando procurar um especialista
Procure cirurgião de cabeça e pescoço se:
- ✅ Indicação de tireoidectomia e precisa laringoscopia
- ✅ Rouquidão persistente por mais de 2 semanas
- ✅ Rouquidão após cirurgia de tireoide que não melhorou
- ✅ Dificuldade para respirar ou falar
- ✅ Tosse persistente ou tosse com sangue
Conclusão
Laringoscopia pré-operatória é exame obrigatório e essencial antes de qualquer tireoidectomia. Detecta paralisia de prega vocal preexistente e previne complicações graves como traqueostomia. O exame é rápido (2-3 minutos), pode incomodar mas não dói, e a segurança que traz vale o pequeno incômodo.
Pontos-chave:
- ✅ Obrigatória antes de TODA tireoidectomia (parcial ou total)
- ✅ Detecta paralisia preexistente (0-8% dos casos)
- ✅ Previne traqueostomia de urgência
- ✅ Exame rápido (2-3 minutos), não dói
- ✅ Repetir se rouquidão após cirurgia
Não hesite em fazer a laringoscopia quando solicitada - é um exame de segurança fundamental para sua cirurgia.
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